segunda-feira, 6 de julho de 2009

Casa da Ciência – Corra, Lola, Corra

Adorei o filme e a palestra dessa semana! Eu fico muito satisfeita quando saio de algum lugar cheia de vontade de ler livros e pesquisar assuntos =) Dessa vez a palestrante foi a professora da UFRJ, Ieda Tuckeman. Ela realmente desvendou o filme com a gente, foi bem bacana!

Ela começou definindo o filme como uma abordagem do acaso e do tempo, e que ele seria desses que fazem as pessoas pensarem. Eu gosto disso num filme. Ela falou que a película não se posicionava moralmente, pois nenhum personagem é moral. E o acaso se apresentaria de três formas: sorte/fortuna, acidente e jogo do mundo.

Fiquei abismada como ela diferenciou pressa e urgência; no primeiro estamos no presente e queremos chegar ao futuro, enquanto no segundo queremos trazer o futuro para o presente, e acaba ocorrendo um desencontro virtual com o futuro.

O filme tem toda uma preocupação com o tempo e a matemática, tendo as três versões precisamente vinte minutos cada. O número vinte tem ainda um papel importante no cassino. Está presente também a tentação dos labirintos, quando o ser humano tende a ir pra direita e pra esquerda, ficando preso num ciclo vicioso, quando sabemos que para sair de um devemos virar para direita.

Ela apontou para a estética que é bem dinâmica, marca do diretor. Ele traz também um formato de videogame, um universo apresentado de diferença e repetição. O relógio sempre presente, o vidro quebrando, o grito de Lola – uma tentativa de parar o tempo que explode os vidros. Tudo se repete para não ser igual, aceleradamente monótono.

Nós contraímos o tic-tac do relógio, criamos a expectativa e preenchemos o tempo. Ela ainda evocou Bergson, quando disse que a memória participa do presente. E finalizou com a afirmação de o tempo é o senhor e o real é o vazio que aparece quando o resto desaparece. Muito cabeça, né?! =)
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Próxima sessão: 01 de agosto com o filme SOLARIS (Andrei Tarkovsky, 1973), o escritor BRAULIO TAVARES e a palestra “Portal para o desconhecido”.

Mais informações: Casa da Ciência

2 comentários:

MisterJaPa disse...

Nossa, parece bem interessante o filme...fiquei com vontade de assistir...

"quando sabemos que para sair de um devemos virar para direita"
Isso é sério? Existe alguma teoria por trás disso?
Ou é só um exemplo? Do tipo: mesmo que saibamos que temos que virar para determinado sentido, não o fazemos.
Por que se for sério vai ser bem útil quando eu estiver em um labirinto...XD

Labirintos são legais, me lembram desafios, que me lembram enigmas, que me lembram jogos...
Sempre faço comentários imensos XD

MisterJaPa disse...

Po, o meu Cantando na Chuva, tá com meu pai há séculos, e ele não me devolve...

Eu acho que já ouvi falar disso também, até por isso perguntei se tem algum fundamento...

Corrigindo o fim do comentário anterior(por que assim fica mais legal):

"Labirintos são legais, me lembram desafios, que me lembram enigmas, que me lembram jogos, que me lembram que sempre faço comentários imensos XD"

XD