segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Social capital?

Não gosto de me perder em questões políticas ou econômicas, não é o meu perfil, mas uns dias atrás fiquei pensando sobre o socialismo e o capitalismo. De forma breve, tenho o capitalismo como aquele que ganha em cima dos outros e o socialismo como o bem-estar social. São concepções bastante simplificadas...eu imagino que uma solução possível seria o caminho do meio. Utilizar um pouco de cada uma das concepções.

Seria ótimo se todos nós nos conscientizássemos da importância de usar parte do nosso dinheiro para algum bem comum ou para fazer um bem ao próximo seja ele quem for. Acho que o caminho passa pelo estímulo de oportunidades para que cada um crie sua própria riqueza. Meu pai falou isso uma vez e isso ficou comigo. É simplesmente dar um destino, de forma voluntária, ao capital visando o crescimento de uns e de outros. Não digo de todos porque a vontade e o esforço de cada um é diferente. Não dá para você ter mais riqueza fazendo nada ou apenas explorando o trabalho do outro.


O que me lembra de outro ponto; por que não distribuir lucros para os trabalhadores quando a empresa vai bem? Isso para o capitalista é a morte! Dividir, jamais. E se puder, vamos mandar gente embora para diminuir os custos. Isso é tão errado. Mas até que existem empresas mais preocupadas com os seus funcionários...mas o lucro vem sempre primeiro, não tem jeito. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sem cessar, alimento

11/10/14

Sou feliz
Mesmo nesse calor que nos tira do sério
Confia, serve e agradece.
Quem me abraça: a luz ou as trevas?
Sinto novamente,
Não sou insensível
E tenho vontade de gritar
Não de medo ou desespero
E, sim, de felicidade
Porque confio, sirvo e agradeço.
Banho-me de luz e
Respiro a esperança
Bons frutos hão de germinar
Em boa terra, em água que abunda
Busco e os caminhos se descerram
A água cristalina reflete:
O sol me renova porque
Alimenta o sorriso,
Que brota sem cessar.

sábado, 11 de outubro de 2014

Emily Dickinson


Part Two: Nature

LVII

SOME keep the Sabbath going to church;
I keep it staying at home,
With a bobolink for a chorister,
And an orchard for a dome.
  
Some keep the Sabbath in surplice;
I just wear my wings,
And instead of tolling the bell for church,
Our little sexton sings.
  
God preaches,—a noted clergyman,—
And the sermon is never long;
So instead of getting to heaven at last,
I ’m going all along!

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Deus em meu quintal

Alguns guardam o Domingo indo à Igreja;
Eu o guardo ficando em casa,
Tendo um sabiá como cantor,
E um pomar por santuário.

Alguns guardam o Domingo em vestes brancas;
Mas eu só uso minhas asas,
E ao invés do repicar dos sinos da Igreja,
Nosso pássaro canta na palmeira.

É Deus que está pregando – pregador admirável, –
E o seu sermão é sempre curto:
Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final,
Eu o encontro o tempo todo no quintal!
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Essa maçã está muito mole...mas isso é uma banana! Oh. Por que você está tão silenciosa e me encarando? Ah, você quer um pedaço? Nhac!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Empilhando livros

Leio três no momento: Woolf,   Dante e o brasileiro Scott.
E os próximos já estão engatilhados: Hermínio C Miranda e Huxley.


Super ansiosa para ler Huxley novamente! Adoro seus posicionamentos, suas ironias.

sábado, 20 de setembro de 2014

Memória renitente

Ora era nítida, ora embaçada. A lembrança arisca. Dois corpos e uma mesa. Éramos três almas aflitas, pois ia dar quatro horas da tarde. Numa terça ou quinta-feira, um mês antes do acidente. É dolorido reviver...ouvir falar de seu pai, sua impaciência com seu ente tão querido que brevemente diria adeus. De forma tão abrupta, tão brutal. Quatro corpos na rodovia, três respirando e um sem vida. Peso imenso na carcaça e você vivendo um dia após o outro, retraída, sem mostrar marcas. E eu aqui sofrendo, por ter antecipado, por não ter avisado. Por não saber o que seria.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Não há mais desculpas: sejamos felizes

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“Olhava as pessoas lá fora; pareciam felizes, reunindo-se no meio da rua, gritando, rindo discutindo por nada. Mas não conseguia saborear, não conseguia sentir. Na confeitaria, entre as mesas e os garçons falantes vinha-lhe o medo terrível – não conseguia sentir. Conseguia raciocinar; conseguia ler, Dante por exemplo, com toda a facilidade (‘Septimus, deixe o livro’, dizia Rezia, fechando delicadamente o Inferno), conseguia somar a conta; o cérebro estava perfeito; então devia ser culpa do mundo – que não conseguisse sentir.

(...)
Ao chá Rezia lhe contou que a filha de Mrs. Filmer estava esperando um bebê. Ela não podia envelhecer sem ter filhos! Estava muito solitária, estava muito infeliz! Chorou pela primeira vez desde que se casaram. À distância ele ouviu seus soluços; ouviu precisamente, percebeu distintamente; comparou ao som de um pistão. Mas não sentou nada.         
Sua esposa estava chorando, e ele não sentia nada; apenas a cada vez que ela soluçava dessa profunda, dessa silenciosa, dessa desesperada maneira, ele descia mais um degrau do poço.
Por fim, num gesto melodramático que adotou mecanicamente e com plena consciência de sua insinceridade, deixou cair a cabeça sobre as mãos. Agora tinha se rendido; agora outros deviam ajuda-lo. Ele cedeu.” (p. 103, 105 e 106)

WOOLF, Virginia. Mrs. Dalloway. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.  
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Síndrome de Irlen