domingo, 3 de abril de 2011

Casa da Ciência – Blow up (1966)

Adoro quando saio de uma palestra querendo estudar filosofia! As questões apontadas pelo Patrick Pessoa (Doutor em Filosofia pela UFRJ, professor do Departamento de Filosofia da UFF) foram inspiradoras.

Ele começou falando um pouco da casamento entre filosofia e cinema, de como as artes sempre foram consideradas algo menor, diante do conhecimento ou da moral. E posicionou-se quanto às propostas de filmes, de como é possível aprofundar ideias e pensamentos, ao invés de ter a arte como mera ilustração. Para então explorar o tema de sua palestra A TAREFA DO TRADUTOR SEGUNDO O CORTÁZAR DE ANTONIONI, o Patrick nos situou no conto “As barbas do diabo” do Cortázar e que o Antonioni tomou como base para desenvolver o seu ponto de vista, a sua crítica. As margens do enredo e que combinam a literatura e o cinema, transformam o filme em um produto único, cheio de sentidos, esperando para serem extraídos.

A questão central do fotógrafo, diz respeito a traduzir a sua percepção em uma imagem. O mundo da moda e da mercadoria contrastam com a miséria, o personagem principal busca, então, a verdade. Em Cortázar: “fotografia para restituir as coisas a sua tola verdade”. Em uma Londres indiferente, cinzenta, o fotógrafo fascina-se com a personagem da Vanessa Redgrave, que expressa uma vontade, uma “doença de querer” que ele quer entender.

Em Cortázar, ele constantemente problematiza o próprio ato de narrar, inquietude de certa forma presente em Antonioni. Pode-se dividir o filme em três partes: a busca do fotógrafo, a montagem com as fotografias e a sua necessidade de contar o que descobriu. Os foliões, não presentes no conto de Cortázar, formam a moldura do “quadro” de Antonioni, eles aparecem no início, representando a subversão, e, no final, como uma coletividade ativa, que compartilha uma experiência, contrastando com os jovens apáticos da cena do show de rock, que podem tudo e não querem nada.

O Patrick ainda chamou a nossa atenção para as portas, como os personagens passavam por portas que não levam a lugar nenhum. A arte que se recusa a produzir mercadorias, buscando assim, os não objetos. A objetividade que não importa: a realidade objetiva dissolvida. E a hélice, representando a pura expressividade, objeto que aproxima-se da arte, quando o fotógrafo a compra impulsivamente, apenas porque a achou bonita. A palestra foi realmente muito boa! =D
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 07 de MAIO com o filme CIDADE DOS SONHOS (2001) do DAVID LYNCH, e o palestrante HENRIQUE ANTOUN com a palestra A CARNE DA REDE: MULTIDÃO LIVRE.

Um comentário:

MisterJaPa disse...

Também adorei a palestra, e o filme.