sábado, 7 de novembro de 2009

Casa da Ciência – Clube da Luta (1999)

Estou em hiatus ainda, mas abro uma exceção para o nosso cineclube mensal =)

O filme da vez foi “Clube da Luta” de David Fincher, a palestra “Um só rebanho para nenhum pastor” e o palestrante Renato Nogueira Junior, filósofo e professor da UFRRJ. Nossa, e como foi exigente a palestra! Em menos de cinco minutos, o Renato já tinha mencionado o nome de três grandes filósofos – Nietzsche, Foucault e Deleuze – sorte minha que eu estava familiarizada com o discurso de cada um, pelo menos superficialmente, imagino que quem não conhecesse tenha se perdido um pouco. No entanto, qualquer parte que fosse absorvida já seria um grande exercício de pensamento. Foi de longe a palestra em que o público mais interagiu, especialmente entre si, adicionando à palestra.

O Renato se propôs a fazer uma releitura do filme a partir das teorias de Nietzsche, algo que realmente me agradou. Nietzsche escreve sobre a crise da modernidade, da representação, da ideia de verdade, a morte de Deus, o niilismo (anestesia), tudo isso presente no filme. Deus morreu porque ninguém mais vive em função dele, à espera de morrer e encontrar o que seria o paraíso, as pessoas querem estender suas vidas ao máximo, até a imortalidade.

Nietzsche fala do conflito existencial, mas não se enquadra no grupo dos existencialistas, ele é perspectivista e faz uma diferenciação forte entre moral e ética. Ele percebe que não se vive de forma sinestésica e que experimentamos o mundo de forma fragmentada. Nietzsche divide três formas de existências: camelo, leão e criança. O primeiro não cria novos valores apenas segue o que existe, o segundo destrói o que existe e o terceiro e último é aquele tipo de existência que cria novos valores, aquele que vai além do humano, imanentes, mas não transcendentais. No filme identificamos as duas primeiras existências, deixando em aberto a terceira, que é a grande questão que devemos pensar – que novos valores queremos?

Nietzsche diz ainda que devemos aceitar a alegria e a tristeza da mesma forma, devemos encontrar em nós mesmos o que nos é fundamental, o necessário para atingirmos o nosso potencial, sermos plenos em qualquer circunstância, sem medo. Ele caracteriza o humano moderno como alguém incapaz de perceber o próprio instante, que pensa no futuro e avalia o passado. Propõe ainda a nobreza, a moral de senhor, em que homem é o seu próprio juiz e executor. Devemos buscar a superação, abraçar os riscos e nos doar inteiramente em tudo que fazemos que complete nossa existência, não devemos nos poupar porque isso é sinal de fraqueza de espírito. Ao invés de lobos temos rebanhos, ovelhas sem direção, com vidas superficiais. As verdades estanques se desmancharam no ar e ficamos sem saber o que seguir.

A palestra foi boa para solidificar alguns conceitos que eu já conhecia de Nietzsche e para introduzir alguns outros que eu desconhecia, a fala dele foi realmente muito boa, o filme, nada de espetacular(minto, espetacular foi...só que a fórmula me pareceu gasta...).
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 05 de DEZEMBRO com o filme A SÍNDROME DA CHINA (1979) e o palestrante HERNANI HEFFNER.

4 comentários:

Mauro disse...

O filme "Clube da Luta" é de David Fincher... #FAIL

Cla452 disse...

Opa, que furo o meu =/ Já está corrigido =)

MisterJaPa disse...

Gostei muito do filme. A palestra foi realmente mt boa, mas confesso que boiei em algumas partes XD

"Ele caracteriza o humano moderno como alguém incapaz de perceber o próprio instante, que pensa no futuro e avalia o passado."
Um coisa que você não citou nessa parte, é que ele falou que o homem moderno não consegue viver sem medo ou esperança, o que o impede de perceber o instante. Isso me chamou a atenção pq eu ja tinha pensado nisso...

Senhori Positoni disse...

Muito boa escrita... querida, vc está afiada... quanto ao filme, bem, não vi! :(