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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Casa da Ciência – O Corpo (2007)

Palestra ministrada em 04 de agosto de 2012.

Gostaria de começar apontando que o filme me surpreendeu. Ainda bem que o Gabriel nos avisou que haveriam cenas fortes. Ufa. Já fiquei preparada. Gostei do tema, de questões e paralelos que a Maria Rita fez. “O Corpo” é o tipo de filme que se descobre novas relações a cada vez que se assiste.

Ela começou relacionando o tema do filme com a nossa história, com o passado e a atualidade. Falou do esquecimento, da indiferença, da mortalidade que continua depois da ditadura. Referenciou logo o livro de ensaios “O que resta de ditadura” com o texto escrito pelo Paulo Arantes, “1964, o ano que não terminou” e nos questionou, o que herdamos? A Maria Rita frisou que somos o único país que não puniu quem matou na ditadura e que temos mais mortandade hoje do que naquela época.

Ela trouxe a tona a barbariedade de maio de 2006, em que ocorreram atos de violência em São Paulo causando inúmeras mortes. O grupo civil “Mães de Maio” acompanha as investigações e exige respostas ainda hoje.

Refletindo sobre o filme, ela afirmou que Laura, a chefe de Artur estava mais morta do que o protagonista; e como os mortos anônimos são tratados como algo banal. Artur começa a viver quando começa a se preocupar com algo. Artur como uma figura quixotesca.Teresa representa a geração que não quer saber de nada e a seguinte. Fernanda histérica, não quer reconhecer o que já sabe. Ela é a falsa boba, podendo o espectador perceber a mudança no seu comportamento quando se dá conta.

Fernanda transgride (rouba) e representa a morte da mãe. Fernanda ainda tem a sua história roubada, como os casos na Argentina, de crianças que eram dadas para a adoção na época da ditadura. Seguriu que víssemos “O dia em que não nasci”, filme argentino e alemão.

Com um discurso em tom de crítica, difícil não assumir esse lugar quando se fala de algo tão revoltante, relembrou o Shibata que assinava os atestados de suicídio de torturados da ditadura, prática que continua nos dias de hoje. Um país inteiro silenciado.

Falou ainda do policeticismo pragmático herdado dessa época, da sociedade que não quer nomear seus mortos. Diagnóstico de melancolia de Walter Benjamin, indolência do coração, rompendo com a sua história. Sintoma social. Trair a sua origem, a sua causa. Mencionou, também, o estado de depressão, aquele que trai o seu desejo (Lacan).

Durante as perguntas, surgiu a questão sobre se vivíamos uma ditadura nos dias de hoje. A Maria Rita Kelh fez questão de dizer que não vivemos uma ditadura, se assim fosse, ela não poderia estar ali falando aquelas coisas. Viveríamos com medo de falar.

Foi suscitado ainda se a juventude de hoje não vivia a política do querer “se dar bem”, passando em concurso público para ganhar em cima do Estado; e a Maria Rita bem frisou que isso é bem mais antigo, estando presente nos textos de Machado de Assis.

O totalitarismo é resultado da tentativa de implementar a utopia, e ela sugeriu o amadurecimento da ideologia pela prática. Ressaltou ainda que vivemos o período democrático mais longo, desde 1988. Apontou, também, para a despolitização da sociedade, ou seja, não se sabe de onde a opressão vem.

Já fazia um tempo que eu não me empolgava com uma palestra dessa forma, saindo com vontade de ler textos e aprofundar estudos ;)

Palestrante Maria Rita Kelh doutora em Psicanálise pela PUC-SP, escritora e integrante da Comissão da Verdade.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Casa da Ciência - O informante (1999)

Palestra ocorrida em 7 de julho deste ano. Estou com as minhas anotações de palestras defasadas e atrasadas, se me permitem a redundância rs. Vamos então retomar os pontos levantados pelos palestrantes e refletir sobre os temas abordados.

Engraçado que esse não é o tipo de filme que me anime a assistir...porém, gostei de algumas questões psicológicas colocadas pelos personagens, como a segurança dos indivíduos, a dúvida entre o certo e o errado, o abandono da família em consequência do medo (legítimo). Questões que muitas vezes me levam a questionar a mim mesma sobre a minha reação diante de uma situação semelhante.

O palestrante, Kenneth Camargo, trouxe como tema a ser discutido, a distorção deliberada do conhecimento científico. Ele partiu da premissa da ciência tida como uma atividade humana e gostaria que os indivíduos fizessem uma abordagem crítica da ciência.

Se bem me lembro, ele falou sobre a credibilidade, de como estudos são forjados, ou desenvovidos de forma a provar um resultado pretendido. Ele citou a influência do Edward Bernays e do Gustave Le Bon, assim como, as estratégias de utilização da 3a. pessoa. Ele ainda indicou o site www.sourcewatch.org como ferramenta para acompanhar informações sobre corporações, indústrias e pessoas que tentam influenciar a opinião pública.

O tema do filme diz respeito ao cigarro e o conhecimento de dados sobre a utilização de fórmulas químicas para aumentar a dependência e os lucros da indústria. O Kenneth levantou, também, as questões sobre a liberdade de escolha e a liberdade individual, que se discute sobre quem fuma e quem não fuma e que acaba sendo prejudicado. Que tipo de liberdade é essa?

Ele falou ainda, sobre como suspeitar de um documento, de um discurso; devemos estar atentos aos conflitos de interesses, a oposição entre massa e a ciência (não existe controvérsia para os especialistas), a indústria com interesse econômico claro. Ele colou também que devemos encarar a ciência como o melhor conhecimento que se dispõe no momento; todos já sofremos com as notícias de que tomate faz bem, tomate faz mal e a mesma situação com o ovo, o chocolate, o café entre outros.

O Kenneth frisou a importância da farmaco vigilância, o acompanhamento dos efeitos de remédios posteriormente, apontando para a proteção contra novos medicamentos, “não ser o primeiro, nem o último a usar” e a necessidade de incentivos do Governo quanto a isso e de sua fiscalização sobre os laboratórios.

Levantou-se, ainda, a questão sobre a medicalização ao extremo e o acesso aberto a publicações. Por fim, ele indicou o site www.scielo.org, uma portal de revistas sobre pesquisas.

Palestrante Kenneth Camargo, pós-doutor pela McGill University, Canadá, professor do Instituto de Medicina Social da UERJ (IMS-UERJ), editor associado do American Journal of Public Health e editor da revista Physis. Pesquisador do Grupo de Estudos sobre Ciência e Medicina (UERJ-CNPq).

Para mais informações: www.cineclubecienciaemfoco.blogspot.com.br  

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Casa da Ciência – As Hiper Mulheres (2011)


Gostei do filme, ao mesmo tempo que senti uma certa nostalgia de quando ouvia sobre os índios na escola, senti-me, também, mais próxima daqueles seres humanos que vivem de forma tão diferente; a sensação de perto e distante ficou bem aflorada em mim. Além do filme ser divertido e curioso! A palestra: “A Potência de um Filme Comum”. O palestrante: Cezar Migliorin. Ele desenvolveu sua fala sobre o filme dentro de duas linhas: uma histórica e outra dentro do cinema contemporâneo brasileiro.

Começando por situá-lo dentro do cinema brasileiro, o filme retoma a questão indígena com uma narrativa e força performáticas. Percebemos a encenação, a relação intensa, a colaboração entre os índios e os realizadores do filme. Os índios são agentes e participantes e não só objeto a ser filmado.

Dentro da linha histórica, o Cezar, relacionou “As hiper mulheres” com o cinema depois da Segunda Guerra Mundial, especialmente com a estética de Jean Rouch. O cinema se escondia para não interferir na integralidade do objeto antropológico em estudo. No filme presente, há personagens não humanos que também constroem a imagem, como o gravador, por exemplo.

O filme em questão, pode, então ser dividido em dois momentos; primeiro uma pequena presença do cantar e dançar e, segundo, seis meses depois, com a intensificação do canto e da dança. No início, somos colocados no lugar do teleespectador pelas regras clássicas do cinema e, posteriormente, essas regras são deixadas de lado. Temos o narrador dentro da cena.

O Cezar falou também de um termo usado no cinema – “pulo do eixo” – erro ao se gravar a cena, e que causa um estranhamento, quando num plano um olha para direita e no plano seguinte, na sequência, um deve olhar para esquerda, fazendo essa ligação entre as cenas.

A ficção atravessada pela intimidade entre filmados e filmantes torna o filme diferente, este se faz desorganizando o cinema clássico. E em dado momento, temos o “pacto do documentário” quando uma das índias se encontra doente.

Temos a rememoração quando o homem e a máquina se unem. No segundo momento do filme, percebemos a câmera fluindo com liberdade.

Para finalizar a parte histórica, o Cezar falou de cinco pontos, resumindo suas percepções: 1) o fazer o filme sem limites entre os personagens e quem faz o filme;2) a imagem como ativadora do processo; 3) o cinema e a tecnologia como dispositivos da invenção da tradição; 4) a ficção como funcdamental para criar a realidade e 5) interpretar a própria vida para reconfigurar a cena. E em suas palavras, concluiu, “ao refazer-se a cena, cria-se a comunidade”.
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Palestrante Cezar Migliorin – Doutor em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ/Sorbonne-Nouvelle, Paris, ensaísta e professor do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF. Organizador do livro Ensaios no Real: o documentário brasileiro hoje.

domingo, 4 de março de 2012

Casa da Ciência – Entre os Muros da Escola (2008)

Eba! O cineclube mensal voltou!

Gostei bastante do filme assistido; tema difícil, muitas informações para digerir, discussão presente e angustiante para qualquer um que se interesse pelo tema da educação. Percebi que existiam muitos prefessores presentes, e pude sentir nas perguntas feitas, como o professor é encurralado por todos os lados pela ansiedade.


O Walter Kohan escolheu se ater à parte final do filme, quando o professor pergunta aos seus alunos o que eles tinham aprendido durante o ano. O Walter queria que pensássemos sobre o que é aprender e o que é ensinar. No filme, o professor diferencia entre gostar e aprender: “eu não perguntei o que você gostou e, sim, o que você aprendeu”.


O filme nos apresenta inúmeros problemas e limites por conta das concepções que temos sobre o ensino. Uma menina no filme diz não ter aprendido nada, e o professor desmerece a resposta, é claro que se aprendeu alguma coisa, mas a menina ensiste. Essa afirmação pode ter algumas interpretações: um posicionamento de resistência, uma negação do sistema em que se está inserido poderia ser uma delas. Outra possibilidade seria um posicionamento de não querer ter nenhuma ligação com, algo menos radical, mas que representa o não-lugar.


O professor Walter ainda nos trouxe algumas informações preciosas sobre fisosofia, com os discursos de Sócrates e seu julgamento. O filósofo estaria sendo acusado de corromper os jovens, ou melhor, incitar contra a concepção dominante. Para se defender, Sócrates usou três argumentos: 1) Não cobro por ensinar; 2) Não transmito conhecimento; 3) Falo sempre a mesma coisa para todos. Sócrates ensinava a pensar e não era como o professor típico da época, ele não tinha o que ensinar porque reconhecia que nada sabia. E sua fala era genérica, sobre fatos e situações do cotidiano e não qualquer infomação prática, operacional.


O professor Kohan trouxe, então, alguns conceitos do que seria aprender, como, incorporar conhecimento; lembrar (Platão acreditava que precisávamos de ajuda para relembrar a virtude, aprendida antes de nascer e que teria sido esquecida...o que vai bem na linha do espiritismo); decifrar signos; transformar a vida.


Ele ainda falou que nenhuma palavra é neutra, ela é sempre carregada de sentido e que para aprender precisamos primeiro aceitar o mundo. Ele terminou a sua fala, colocando que sem paixão não se aprende, e as perguntas do auditória levataram ainda tantas outras questões a se pensar.


Eu cheguei a escrever algumas linhas sobre o meu entendimento. A partir do momento que reconhecemos que cada indivíduo é único, com suas facilidades e deficiências, cada um tem uma forma individual de aprender. Deveríamos valorizar e estimular que se ensinasse a cada um descobrir em si a melhor forma de aprender.


O Walter chegou a falar que ele acreditava que a saída era mudar a nossa relação com a escola, e que mesmo que pudéssemos começar uma escola do zero (a escola ideal), o problema do ensinar não seria resolvido, porque cada situação demanda uma solução específica. Ele ainda falou sobre os muros do título do filme, muros esses que existem por toda parte, em nome da segurança. E que cada professor deve inventar um tempo e espaço dentro do seu labor. E que a atitude adotada deveria ser mais para se ter consciência do sistema e, ao invés de ir contra ele, ter um discurso afirmativo apesar de, um discurso que ultrapasse as dificuldades.


Algo que me incomodou um pouco no filme, foi a moral do professor, que apesar ser colocado em uma posição autoritária, ele erra tanto quanto os alunos, afinal, ele é um ser humano. Algumas atitudes dele poderiam ser condenáveis, mas, na verdade, ninguém sabe bem o que irá afetar às pessoas de forma positiva. Talvez se ele pudesse ser ajudado a relembrar as virtudes esquecidas, ele poderia ter uma relação mais agradável com os seus alunos.

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Palestrante Walter Kohan, Doutor em Filosofia pela Univ. Iberoamericana, México, professor da Faculdade de Educação da UERJ. Publicou, dentre outros livros, Filosofia - o paradoxo de aprender e ensinar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Casa da Ciência – Profissão: Repórter (1975)

Alguns filmes precisam de um pouco mais de força de vontade para serem assistidos, lembro que foi assim com “Solaris”(1972). Com este filme do Antonioni, percebi uma certa ansiedade por parte de alguns, tédio por parte de outros, vi gente dormindo, vi gente saindo com 15 minutos de filme. Eu fiquei lá, firme e forte, e a palestra não poderia ter sido mais proveitosa!

O professor Paulo tinha como tema “a relação sujeito-objeto” e fez algumas colocações antes de abrir para o debate. Começou descrevendo o filme como um falso filme de ação, espionagem e road movie. Temos o personagem principal, Locke, buscando encontrar uma identidade para si; insatisfeito consigo mesmo rouba a identidade de outro, ao invés de se reinventar.

Locke não consegue se desvencilhar da angústia diante da banalidade do cotidiano e enxerga no outro uma vontade de viver que lhe falta. Não consegue se conectar com a sociedade, e procura, na troca de identidades, fugir do esvaziamento, busca reintegrar-se ao mundo, mesmo estando sem desejo. Ele inveja o pragmatismo no outro e que não consegue assumir.

Falou-se ainda do deserto como o locus existencial, que representa o esvaziamento sentido por Locke. A mocinha poderia ser uma possibilidade de salvação, mas Locke sente que é tarde demais. Algumas pessoas enxergaram o final do filme como uma redenção e outros como um fracasso. Têm-se três mortes: a existencial, a civil e a física. Achei curioso que o Locke morre da mesma forma que o Robertson, aquele de quem ele roubou a identidade.

Uma cena bastante curiosa é a da esposa que não reconhece o Locke ao vê-lo estirado na cama, e a mocinha o reconhece. O filme claramente representa um sentimento de uma época que precisava desesperadamente de novos valores e motivos para viver, acredito que os otimistas tenham encontrado algo, já os pessimistas...
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Palestrante Paulo Domenech Oneto, Doutor em Filosofia pela Univ. de Nice, França, e Literatura Comparada pela Univ. da Georgia, E.U.A., professor da Escola de Comunicação da UFRJ -ECO/UFRJ

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Casa da Ciência – Donnie Darko (2001)

O palestrante, Erick Felinto, tinha como proposta falar sobre gêneros e a fantasmagoria da imagem, com a palestra “Explorando gêneros e analisando a potência fantasmagórica da imagem”. Logo de início, ele declarou a sua fascinação por filmes de horror, questionando se “Donnie Darko” poderia ser classificado como tal. Disse, ainda, que tentar entender uma linha lógica do filme, talvez desmerecesse toda a experiência. Para mim, a digestão do filme e da narrativa, se deu no caminho para casa.

Sobre o filme, especificamente, o Erick falou da nostalgia dos anos 80: as músicas, citações, referências sutis, o terror – chegou a definir o filme como um conto de fadas sombrio. O filme acaba por negar soluções, cheio de tramas paralelas que desviam a nossa atenção, dificultando a interpretação. O Erick chamou a nossa atenção para a experiência de climas e ambientações que criam memórias.

Falou ainda da função do cinema de produzir ilusões (o cinema que hipnotiza) e, também, da intenção de colocar os espectadores dentro do filme, como na cena dentro do cinema. Ou, então, na última cena do “adeus”, quando a menina acena para a mãe do Donnie, que acena de volta e, por fim, o vizinho acena para nós, os telespectadores. [interpretação minha]

Como um filme sobre viagem no tempo, deparamo-nos com os paradoxos temporais. A ficção científica que não fala sobre o futuro, mas, sim, sobre o presente.

Erick ainda falou sobre a dificuldade de classificar o gênero do filme, já que existe uma mistura muito grande de estéticas. Por fim, ele expressou a sua preferência por filmes com narrativas que produzem tensão o tempo todo, pois que questionam a realidade, fazendo-nos refletir, valorizando o mistério, as perguntas que ficam sem respostas, o misticismo, o uso do sobrenatural, o inexplicável.

“Donnie acaba por assumir um papel de redentor”. Esta foi uma das poucas frases que o Erick falou sobre a interpretação da trama em si, sempre preocupado em dizer que nada do que ele dissesse deveria ser tido como uma interpretação única. Quanto à interpretação, falou também sobre o Frank que aparece para Donnie como se fosse um fantasma.

Eu encontrei na internet o script do filme, e passando o olho, rapidamente, pude identificar certas cenas que não aparecem no filme; talvez tenham sido cortadas, como uma cena em que o Donnie fala com a professora de literatura sobre coelhos. Seria interessante dissecar ideas que o filme apresenta.

A primeira possibilidade que enxergo é a óbvia, do sonho. Atrás do sonho, vem a graça concedida por Deus de passear pelo caminho que as escolhas do Donnie trilhariam, culminando com a morte da menina e do Frank. Ele morre sorrindo, feliz por evitar tantos tormentos, sacrifica-se, tendo a certeza de que morre por um propósito maior. Existem outras várias descobertas deliciosas no filme, recomendo a leitura do script para complementar o filme. E eu concordo com o Erick, uma ótima experiência realmente.
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 03 de DEZEMBRO com o filme PROFISSÃO: REPÓRTER (1975) de MICHELANGELO ANTONIONI.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Casa da Ciência – Guerra Sem Cortes (2007)

Apesar de não assistir filmes de guerra normalmente, fiz uma exceção para o tema. O palestrante Karl Erik Schollhammer começou falando sobre a nova imagem de guerra que se propõe pela visão cinematográfica, explorando novas mídias através das linguagens digitais. O diretor, Brian de Palma, nunca aparece como narrador, o filme é montado pelas vozes dos outros, pelas vozes da sociedade.

Pudemos presenciar uma forma diferente de apresentação do filme de guerra, pois não era nem documentário assumido ou ficção totalmente, era uma terceira maneira de contar a história real, recriando com uma linguagem digital.

Karl Erik nos passou sua interpretação do objetivo do filme que seria uma versão informal da comunicação digital. Em dado momento, duvidamos do que estamos vendo, não sabemos ao certo se estamos diante do real ou da encenação.

Um outro ponto crucial para o desenrolar de sua fala foi o olhar que não é de fora, como em um documentário comum, o filme se apresenta a partir de olhares de dentro dos próprios acontecimentos, o “olhar embarcado”. Temos, assim, uma proximidade dos atos de guerra.

A tentação do personagem principal de criar o seu próprio filme a partir da experiência da guerra é tão grande, que ele se dispõe a participar de crimes para ter o que filmar. A verdade está sempre em questão.

Karl Erik ainda recomendou dois outros filmes de temáticas semelhantes, o dinamarquês, Armadillo (2010), e o norte-americano, Restrepo (2010).
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 01 de OUTUBRO com o filme OBRIGADO POR FUMAR (2005) de JASON REITMAN, o palestrante IVAN DA COSTA MARQUES e a palestra ALEGAR QUE CIGARROS NÃO VICIAM REQUER PROVAS.

domingo, 7 de agosto de 2011

Casa da Ciência - Fahrenheit 451 (1966)

Nossa, a Márcia Tiburi trouxe muitas questões legais que perpassavam o filme “Fahrenheit 451”. E, apesar, do tom pessimista da palestra, gostei bastante dos pontos colocados, principalmente quando ela falou sobre as exigências para se dialogar, a ética que entra em jogo, quando se ouve e interage com o outro.

Bom, vamos a alguns pontos. Ela começou falando da nossa ilusão do olhar, de como temos certeza de certas coisas, quando na verdade, a visão é cheia de dúvidas.

No filme, a palavra escrita estava ausente, pudemos vivenciar a ditadura do visual, o recalque e a violência contra o verbal. A conversa que não convém, as crianças que aprendem números e não aprendem a dialogar, ou seja, a pensar. Elas não exercitam a reflexão, possível somente pela palavra, instrumento perigoso.

Ela sempre fazia paralelos com o mundo de hoje, muito presente no filme do Truffaut de 1966. Tagarelamos e não dialogamos, imbecilização do mundo pela televisão, desconexão de todos com as suas emoções. Idiota, aquele fechado dentro de si, aquele que perde a subjetividade. Alienado. A televisão como imperativa (ela nunca pode ser desligada!).

Os excluídos, os homens-livro, que usam a mesma violência contra si mesmos a seu favor. A expressão gritante de ressentimento do Capitão, por não alcançar o que se fala nos livros. Ela falou ainda da sociedade do espetáculo, quando a imagem se transforma em capital.

E, em dado momento, colocou para nós a seguinte questão: por que sentimos tanto medo de sentir? E a minha resposta instantânea foi “ninguém quer perder o controle”. Eu, pessoalmente, sinto que andar na linha é evitar problemas, evitar conflitos. E entrando na discussão de certo e errado, considero como limite a vontade do outro.

Fiquei um pouco chocada quando ela falou do Montag ateando fogo no Capitão, de como ninguém sentiu como se fosse algo abominável, como se a justiça estivesse sendo feita, e eu não senti isso. Assim, como acho a cena da moça ateando fogo em si mesma bastante forte.

Por fim, a Márcia nos apontou duas saídas para fugir da alienação, primeiro, a resistência para se produzir liberdade e, segundo, ser capaz de produzir por meio das diversas ferramentas que existem, hoje, para interferir no sistema, ou seja, sermos proativos.

Gostei tanto da palestra que pretendo comprar algum livro dela ;)
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 03 de SETEMBRO com o filme GUERRA SEM CORTES (2007) de Brian de Palma, o palestrante KARL ERIK SCHOLLHAMMER e a palestra O OLHAR EMBARCADO – TENDÊNCIAS DE DOCUMENTARISMO FICCIONAL NO CINEMA DE GUERRA ATUAL.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Casa da Ciência – Os 12 Macacos (1995)

O palestrante (estreante) dividiu sua fala em três momentos: primeiro falou do diretor Terry Gilliam, que fazia parte do grupo inglês de comédia Monty Python, exaltando a estética caracteristicamente visual do diretor.

Em um segundo momento, o Paulo Vasconcellos-Silva comparou conceitos e idéias presentes tanto no filme OS 12 MACACOS quanto BRAZIL, que ironiza 1984. Ele chamou nossa atenção para os cenários e alegorias, as tecnologias de opressão do homem e como com tão pouco, o homem se deixa dominar. Foi comentado, também, a presença do panóptico (central de controle) de Foucault em pelo menos dois momentos do filme em questão.

Por fim, na terceira e última parte da palestra, o Paulo nos falou do tempo fenomenológico de Proust versus o tempo linear da viagem no tempo, este último que busca alterar o passado para se ter um futuro melhor. O tempo de Proust seria mais interessante, pois é aquele sentido de forma diferente por cada pessoa, é a captação da percepção de si.

Para responder ao título de sua palestra COMO TRAFEGAR NO TEMPO SEM PERDER OS DENTES, o professor de bioética da UNIRIO evocou Nietzsche: “Qual seria a vida que vale a pena ser vivida?, O que é uma vida boa?” Se um gênio nos desse infinitas vidas iguais, isto seria um castigo ou um prêmio? Para o personagem principal, James Cole, seria um castigo, e para enganar o “gênio”, para poder viver uma vida diferente, uma vida em que ele conserva o conhecimento sobre o futuro, ele arranca seus dentes, em um ato desesperado.

O filme nos traz diversos momentos de fruição daquilo que é simples, momentos que James Cole se permite sorrir e emocionar-se. E sem ter onde fincar a razão, entre os momentos de lucidez e loucura, James Cole não sabe mais o que quer, ele se perde para se encontrar, mas precisa que lhe digam o que ele deseja.

Dados curiosos

Dogma das histórias de viagem no tempo: a história não pode ser mudada.
Os profissionais que mais se matam são os dentistas. [Essa estatística foi dita durante a discussão do filme, se é verdade ou não, eu já não sei rs].
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 02 de JULHO com o filme O CONTO DA AIA (1990) do Volker Schlöndorff, a palestrante LUCIA DE LA ROCQUE e a palestra DISTOPIA ONDE A VOZ FEMININA NÃO TEM VEZ.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Casa da Ciência – Cidade dos Sonhos (2001)

Gostei mais do filme dessa segunda vez que assisti, chocando-me menos, pude prestar melhor atenção ao enredo. Mesmo assim, o Marco (misterjapa) me ajudou a entender até onde ia o sonho da “Betty”.

A palestra A CARNE DA REDE: MULTIDÃO E MÍDIA LIVRE, ministrada pelo professor Henrique Antoun, teve o filme como pontapé inicial, passando pela história do cinema, a evolução do trabalho e as relações sociais de hoje.

O professor Henrique começou nos situando sobre os símbolos utilizados pelo diretor: o corpo morto que é o próprio cinema, a caixa azul que é o chroma-key, o cowboy que é personagem típico do cinema hollywoodiano. Os velhinhos que assediam a atriz, o diretor dos ano 60, a independência que é posta contra a parede.

Saindo um pouco do limite do filme, o Henrique começou a nos colocar questões para pensarmos a partir da temática do filme, as cenas que como em um sonho, se formam de forma aparentemente sem sentido, mas que na verdade, traz à tona inquietações como, o que é hoje o teatro? A televisão? O sujeito que perde sua identidade, não sabe mais quem é quem. Quem pensa, a mente ou a linguagem? O cinema é entretenimento ou arte? Cultura ou negócio? Afinal quem pensa, quem cria?

O professor Henrique falou também da expectativa que se tinha de que o cinema iria despertar o pensamento dos sujeitos, a consciência política e social do que acontecia com a sociedade, o cinema era depositário das esperanças de ser um instrumento de mudanças. No entanto, com o tempo, começou-se a questionar essa equação. E se houvesse apenas o vazio, nada a ser despertado nos indivíduos? Voltando ao filme, ele ainda falou do cinema aprisionado na caixa azul, o mendigo que representa o grande medo, o anti-estrela.

Ele falou também da reinvenção do sentido do trabalho a partir das revoluções tecnológicas, a mídia livre que multiplica possibilidades, muitos querem ter alguma palavra sobre as mudanças. O neoliberalismo que se interessa pela massa sem estrada, sem passado, e a engole. As relações sociais que passam a movimentar o trabalho, que por sua vez exige a alma de cada um de nós.
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 04 de JUNHO com o filme OS DOZE MACACOS (1995) do Terry Gilliam, o palestrante PAULO VASCONCELLOS SILVA e a palestra COMO TRAFEGAR NO TEMPO SEM PERDER OS DENTES.

domingo, 3 de abril de 2011

Casa da Ciência – Blow up (1966)

Adoro quando saio de uma palestra querendo estudar filosofia! As questões apontadas pelo Patrick Pessoa (Doutor em Filosofia pela UFRJ, professor do Departamento de Filosofia da UFF) foram inspiradoras.

Ele começou falando um pouco da casamento entre filosofia e cinema, de como as artes sempre foram consideradas algo menor, diante do conhecimento ou da moral. E posicionou-se quanto às propostas de filmes, de como é possível aprofundar ideias e pensamentos, ao invés de ter a arte como mera ilustração. Para então explorar o tema de sua palestra A TAREFA DO TRADUTOR SEGUNDO O CORTÁZAR DE ANTONIONI, o Patrick nos situou no conto “As barbas do diabo” do Cortázar e que o Antonioni tomou como base para desenvolver o seu ponto de vista, a sua crítica. As margens do enredo e que combinam a literatura e o cinema, transformam o filme em um produto único, cheio de sentidos, esperando para serem extraídos.

A questão central do fotógrafo, diz respeito a traduzir a sua percepção em uma imagem. O mundo da moda e da mercadoria contrastam com a miséria, o personagem principal busca, então, a verdade. Em Cortázar: “fotografia para restituir as coisas a sua tola verdade”. Em uma Londres indiferente, cinzenta, o fotógrafo fascina-se com a personagem da Vanessa Redgrave, que expressa uma vontade, uma “doença de querer” que ele quer entender.

Em Cortázar, ele constantemente problematiza o próprio ato de narrar, inquietude de certa forma presente em Antonioni. Pode-se dividir o filme em três partes: a busca do fotógrafo, a montagem com as fotografias e a sua necessidade de contar o que descobriu. Os foliões, não presentes no conto de Cortázar, formam a moldura do “quadro” de Antonioni, eles aparecem no início, representando a subversão, e, no final, como uma coletividade ativa, que compartilha uma experiência, contrastando com os jovens apáticos da cena do show de rock, que podem tudo e não querem nada.

O Patrick ainda chamou a nossa atenção para as portas, como os personagens passavam por portas que não levam a lugar nenhum. A arte que se recusa a produzir mercadorias, buscando assim, os não objetos. A objetividade que não importa: a realidade objetiva dissolvida. E a hélice, representando a pura expressividade, objeto que aproxima-se da arte, quando o fotógrafo a compra impulsivamente, apenas porque a achou bonita. A palestra foi realmente muito boa! =D
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 07 de MAIO com o filme CIDADE DOS SONHOS (2001) do DAVID LYNCH, e o palestrante HENRIQUE ANTOUN com a palestra A CARNE DA REDE: MULTIDÃO LIVRE.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Casa da Ciência – Videodrome (1983)

Depois de ver o trailer do filme, apareci no cineclube já preparada para assistir qualquer coisa estranha. Enquanto eu via o filme, fiz muita careta, ri como o resto do público das cenas risíveis, hoje, e pude perceber silêncios, quando não sabíamos o que esperar da próxima cena.

Foram muitas reações e sensações, e fiquei surpresa de ouvir o palestrante falar que “Videodrome” é moralista. Não sei se essa confusão foi geral ou foi só a minha percepção. Cronenberg brinca com as transgressões para mostrar-se moral, mas pra mim o choque da violência acabou deixando o discurso moral nebuloso.

O Tadeu Capistrano (Doutor em Literatura Comparada pela UERJ e professor de Teoria da Imagem da Escola de Belas Artes da UFRJ) falou de temas presentes nos outros filmes do diretor, como sexo e violência, corpo-mídia, hiperestimulação.

Falou-se também da possibilidade de ver sem olhos, o que seria uma visão remota; o olho obsoleto e o foco no controle do cérebro. Em “Videodrome” podemos ver corpos opacos, melancólicos, esvaziados de vontade – apatia típica dos anos 80. Com a criação do vídeo, havia uma crise do cinema e do espectador cinematográfico, o que gerou novas demandas perceptivas e sensoriais.

A noção de hipnose está bem presente, há de se focar um ponto luminoso que irá trabalhar com a emoção, a atenção, a memória ou a imaginação. Os personagens se tornam vídeos. O corpo como uma mercadoria. Redução do cidadão à espectador.

As alucinações costuram o enredo, levantando questões sobre o que seria a realidade se não a nossa percepção, o próprio filme poderia ser inteiramente uma alucinação do Max, pois vemos ele perder o controle o tempo todo, quando se perde a noção de realidade.

O Tadeu ainda apontou como Cronenberg era adepto da filosofia do desaparecimento, quando ele tematiza o desaparecimento do corpo, e do que nos torna humanos. Não há espaço para o existencialismo. Falência do tempo de reflexão sobre o que vemos. E na sua visão apocalíptica, ele mostra-se desacreditado do homem, apostando na tecnologia.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Casa da Ciência – Alphaville (1965)

Depois de três meses sem conseguir comparecer à Casa da Ciência da UFRJ, consegui ir na última sessão do ano! \o/

Bom, primeiramente, gostaria de falar um pouco sobre minhas impressões sobre o filme...acredito que foi o meu primeiro filme do Godard, e já gostei do estilo dele. Bom, gostei das ideias apresentadas, só não dei nota maior por causa justamente do incômodo intencional do diretor. O que mais me perturbou foi a voz carregada e arrastada do Alfa 60, o tom de sua voz era de enlouquecer!

A palestra do Jorge Vasconcellos foi um incentivo bacana para buscar mais filmes do Godard. Jorge o chamou de “cineasta número 1”: àquele que se encontra entre o Moderno e o Contemporâneo. Jorge também destacou pontos essenciais para a estética da obra de Godard como um todo – a exarcebação de clichês, o entre imagens, o som, a verborragia, a paródia, o plágio, o jogo de signos e referências. Alphaville mostra claramente dois estilos: a ficção científica e o filme noir.

O palestrante falou também da recusa de Godard em trabalhar com a metáfora, sendo o seu estilo marcado pelo retrato do estado de coisas. Em Alphaville, podemos ver o futuro muito parecido com o presente, podemos identificar a ideia de libertação, a luta contra o autoritarismo, as críticas às formas de dominação. Em sua obra como um todo, Godard faz uso de fragmentos filosóficos, da potência das imagens, das “entre” imagens, revelando o dispositivo cinematográfico. A sua fotografia nos passa um clima opressivo, incômodo, buscando criar beleza no horror.

Eu gostaria de rever o filme sem som, ou mesmo, ler só o script. Ficou a sensação de querer rever só para decodificar as referências e extrair a poesia.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Casa da Ciência - Pi (1998)

O filme da vez, depois de um mês sem cineclube, foi “Pi” e não poderíamos voltar a pensar com um melhor! O palestrante foi Ricardo Kubrusly – poeta, matemático e professor do IM da UFRJ – e a palestra, “A busca do impossível (ainda)”.

Ele começou relembrando posições suas antigas, como ele acreditava que a máquina não poderia pensar, hoje, porém, disse não saber o que pensar, mas que tudo seria possível. Logo no início, percebemos uma figura divertida naquele matemático, cheio de histórias para dividir e nos divertir.

No filme presenciamos a máquina ganhar consciência e o Max (não por acaso chama-se assim, já que ele se achava o escolhido, grifo meu) perdendo a sua a medida que tenta desenterrar as informações que estariam presas na sua cabeça.

O professor adentrou um pouco na história do computador, como originalmente eram máquinas de fazer conta e somente isso; assim como cada máquina é feita para fazer algo específico. (O avião serve para voar, e o carro não, mas não poderíamos fazer um carro voador? Sim, mas não o fazemos).

O homem tinha inúmeras capacidades para a sua sobrevivência e, hoje, somos especialistas, sabemos um montão de pouca coisa – colocação que arrancou risos dos que ali estavam. O computador então tinha uma função especialista, que com o tempo foi se modificando, conseguindo entender melhor os nossos comandos, executando, assim, as tarefas. O computador adquire uma alma diferente, parece máquina, mas tem inúmeras serventias.

O Ricardo ainda falou das inquietudes suscitadas pelo filme, como temos a consciência da morte, como a nossa vida gira em torno de resolver essa qestão da finitude. E quanto mais especialistas nos tornamos mais esquecemos que somos seres que morremos. Busca-se trocar a transcendência pela eternidade, anular o infinito, esquecer da nossa condição corpórea. E o filme nos coloca: ou você compreende ou você vive, defendendo a matemática como lingguagem de Deus.

“É na inutilidade que a matemática se iguala com a arte”, disse ele mais para o final da palestra, depois de ter entrado em toda uma discussão mais matemática e que eu acabei me perdendo um pouco rs Ele ainda falou de verdade indecidíveis, o próprio número transcente“pi”, que existe quando a conta não é feita e somente no círculo perfeito, que por sinal é impossível de se fazer, mesmo com uma máquina japonesa de alta precisão rs
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 04 de SETEMBRO com o filme VELUDO AZUL (1986) do DAVID LYNCH, e o palestrante JAMES ARÊAS com a palestra DAVID LYNCH: O PULSAR DO TEMPO.

domingo, 6 de junho de 2010

Casa da Ciência – Os Olhos Sem Rosto (1960)

Em sua palestra, tendo o filme como ponto de partida, a professora Paula Sibilia, nos instigou a pensar sobre a intervenção técnica no corpo humano, o deslocamento de limites - que confunde os valores inerentes ao par natural versus artificial –, as inúmeras questões envolvidas em todo o processo do avanço da tecnologia e a nossa moral.

Ela invocou o mito de Pigmalião (ou seria Pigmaleão?), o personagem Frankenstein e outros filmes de ficção científica, como BLADE RUNNER e GATTACA. O mito representaria um lado da moeda, quando o homem cria algo belo na sua unipotênica. O doutor do filme, em dado momento, não conformado com o que já foi conquistado, querendo provar a sua onipotência declara: “Não há razão para duvidar de mim”. No caso do Frankenstein, essa tentaiva do homem de ser um Deus, resulta na criação um ser monstruoso. E nos casos dos outros filmes, podemos perceber artifícios analógicos ineficazes e artefatos computacionais para lidar com a genética.

A Paula também nos trouxe informações sobre as operações de transplantes de rosto feitas nos últimos anos, todas bem sucedidas, trazem consigo as discussões pertinentes ao futuro não muito distante. Assim como as cirugias plásticas, estes transplantes foram permitidos para casos reparadores. Com o tempo, as plásticas foram sendo banalizadas e hoje, qualquer pessoa com dinheiro pode mudar o que não gosta em si. Com a diminuição dos riscos, os transplantes de rosto poderiam virar operações de rotina? Se popularizado, deveria ser incorporado como uma opção?

Ela leu diversas citações dos médicos envolvidos, como um que defendia o “reencontro da dimensão estética da paciente”. Além dos obstáculos óbvios, de ética, moral e espiritual, existe a escassez de doadores, justamente por não ser algo comum, e porque o rosto está mais vinculado à indentidade do indivíduo do que outros órgãos.

Em um dos casos, a paciente desabafou depois de alguns meses: “Não sou eu, não é ela. É uma outra pessoa”.

Com uma pontada de saudade das aulas de “Programação de Realidade”, ouvi a Paula falar sobre reality shows de transformações, como as pessoas acreditam tornarem-se pessoas melhores ao alterar a sua aparência. Esta que uniformiza, dado o valor da imagem nesta cultura espetacularizada, somos o que conseguimos aparentar. Com todas as possibilidades de beleza do mercado, é culpa sua se é feia, pois toda mulher pode ser bonita. Sendo ainda a mulher o centro das atenções, o homem vem ganhando o seu espaço na busca pela beleza perfeita.

Deixamos de acreditar em uma natureza humana, o que pode ser encarado como algo positivo ou negativo, depende dos seus valores, o que daria uma discussão infinita. Depois das perguntas, falou-se também dos avanços técnicos para melhorar e não somente curar, e também como o conceito de normal tornou-se obsoleto, pois, se algo não é valorizado ou desejado deixa de ser normal.

Nota sobre o filme: a trilha sonora usada repetidamente me incomodou de forma anormal rs
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 07 de AGOSTO com o filme PI (1998) do DARREN ARONOFSKY, e o palestrante RICARDO KUBRUSLY com a palestra A BUSCA DO IMPOSSÍVEL (AINDA).

sábado, 1 de maio de 2010

Casa da Ciência – Pão e Rosas (2000)

Faz dois meses que não escrevo um texto mais extenso; com o fim da faculdade, começo a sentir a dificuldade de manter minhas engrenagens funcionando. Isso me assusta um pouco. Mas vamos ao filme e à palestra de hoje.

O professor de sociologia da UFRJ, José Ricardo Ramalho, começou sua fala nos levando à greve, que deu origem ao “1º. de maio”, em 1886, em que se buscava reduzir a hora de trabalho de 13hs para 8hs. Curiosamente, no filme “Pão e Rosas” de Ken Loach, em pleno anos 2000, os emigrantes trabalhavam 16hs. Ficando, assim, claro, como não aprendemos com o passado, como as conquistas se perdem no tempo.

Os filmes de Loach têm esse cunho trabalhista, tendo o José Ricardo, citado alguns deles que tinham essas causas como mote. O Estado mínimo assim como o neoliberalismo, e o capitalismo são criticados, e é discutido a precarização do trabalho e o aumento da insegurança, presente nas relações de trabalho hoje.

Com “Pão e Rosas”, Loach mostra-se favorável ao sindicalismo, no entanto critica a sua burocratização. Há críticas também ao sindicalismo da classe média, que luta contra uma realidade que é alheia à sua. Em vários níves, Loach traz a solidadeda à tona, dando um destaque à instituição familiar na luta trabalhista.

Como marca do diretor, o professor nos informou que Loach costuma dirigir os seus atores sem dizer-lhes os detalhes do roteiro, buscando assim, uma resposta mais espontânea dos atores e, consequentemente, da cena, como foi o caso da cena mais pesada do filme, quando a Maya confronta sua irmã, Rosa.

A fita procura mostrar ainda que apesar de sofrer, as pessoas ainda têm a possibilidade, mesmo que pequena, de resistir a ações avasaladoras do capitalismo, como colocou o José Ricardo, que leu uma resposta do diretor sobre a indagação do poder de transformação dos filmes. Este torcia para que o espectador saísse de seus filmes com um sentimento de dúvida e inquietação, o que seria o mínimo a se esperar (com adaptações).

A discussão me fez lembrar da minha aula de sexta-feira, quando o professor Marcos Barbosa, nos proferiu a seguinte frase, que estaria na constituição, “entre o fraco e o forte a liberdade excraviza e a lei liberta”.
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 05 de JUNHO com o filme OS OLHOS SEM ROSTO (1960) do GEORGES FRANJU e a palestrante PAULA SIBÍLIA (que foi minha professora na UFF!).

domingo, 7 de março de 2010

Casa da Ciência – O Processo (1962)

Nada como ver um filme e ouvir uma palestra estimulante em um sábado chuvoso!

O professor de filosofia da UNIRIO, Charles Feitosa, nos convidou a refletir sobre o filme para além das inúmeras interpretações possíveis do livro do Kafka e do filme do Orson Welles – ambos brincam com a credibilidade. Apesar de não ter lido o livro, ficou a sensação da importância do filme, sem entrar no mérito de discutir a adaptação, porque afinal são canais de comunicação diferentes.

O professor trouxe algumas informações bastante interessantes sobre o livro e o filme, como as diferenças entre eles, e também como “O processo” era um livro inacabado e como o Kafka pediu ao seu amigo, em seu leito de morte, para queimar os manuscritos. Obviamente ele não o fez e editou o livro como achou melhor.

E o Orson Welles também brincou com a história modificando a morte do Joseph K., como também inseriu o computador como personagem, este inexistente no livro.

Tendo a palestra o título: “Finitude no cinema e na literatura”, o Charles nos mostrou como racionalmente entendemos a finitude, mas emocionalmente achamos difícil de aceitar. E nos perguntou, como gostar da vida mesmo ela não tendo sentido? Como encontramos a alegria apesar da finitude?

Ainda falou da morte como algo externo, e como nos sentimos culpados por morrer, questão expressa no livro e no filme. No livro, Joseph K. – não tão simpático quanto no filme – infere que está sendo acusado de algo, fazendo referência a essa culpa que carregamos diariamente. E foi aí que o Charles falou da sua interpretação do livro, de que este não seria uma alegoria, e sim uma reprodução da nossa vida. Eu não sei bem o que pensar, prefiro assimilar que existem diferentes respostas e verdades, dependendo da situação, o lhe parecer pode ser.

Para terminar remeto a outras páginas – citações do Kafka, o início do filme, que me deixou bastante intrigada e mais sobre a noite sinistra.
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 03 de ABRIL com o filme STALKER (1979) do ANDREI TARKOVSKI e o palestrante OCTÁVIO ARAGÃO.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Casa da Ciência – A Síndrome da China (1979)

Eu tinha visto o trailer na internet e não dava nada pelo filme, que me surpreendeu! Dirigido por James Bridges, o filme tem aquela aura dos anos 80 e que sempre desperta uma sensação boa de nostalgia. Eu gostei bastante das atuações e me vi super curiosa sobre o fim daquela história, sofri junto com a Kimberly Wells (Jane Fonda), o Jack Godell (Jack Lemmon) e o Richard Adams (Michael Douglas).

A expressão “síndrome da China” faz referência a um acidente nuclear, com o derretimento incontrolado de um reator atômico. A quantidade de calor seria tão grande que causaria o derretimento do solo desde os Estados Unidos até a China. O que o palestrante Hernani Heffner, conservador-chefe da Cinemateca do MAM e professor de História do Cinema Brasileiro e Mundial na PUC-Rio, assegurou ser uma lenda.

Com a palestra O paradigma nuclear acabou?, Hernani começou nos dizendo que o filme foi percebido, anos mais tarde, como um retrato de algumas mudanças da relação da mídia como a sociedade e da questão nuclear. Diferentemente do medo da destruição iminente do planeta pela guerra nuclear da Guerra Fria, a questão abordada no filme explora algo menos político, e mais a discussão sobre o perigo cotidiano da energia nuclear.

O Japão tendo sido vítima das bombas atômicas, nunca teria explorado o assunto diretamente, pois seria demasiado penoso. Um acidente com uma bomba de hidrogênio, teste dos norte-americanos, teria atingido um barco japonês, inspirando-os a inventar o Godzilla, aquele monstro fruto da radioatividade e que destrói o Japão, medo constante deles: será que sofreremos outro ataque nuclear?

A natureza estética do filme seria o escândalo de Watergate, sendo um dos últimos exemplares da teoria da conspiração, preocupados com a busca da verdade para se poder posicionar – lugar esse assumido pela mídia.

O filme se apropria do assassinato de Karen Silkwood, na década de 70, funcionária de uma usina nuclear e que denunciaria as péssimas condições da empresa em que trabalhava. A cena do carro perseguido e jogado para fora da estrada seria um retrato fiel do ocorrido.

Há também, no filme, um processo de despersonalização, pois que não há vilão expresso, temos pontos de vista, o certo e o errado se confundem. A energia é necessária para se viver e a dependência coloca novas questões para o ser humano. A película tem um caráter documentário, sem música, com o objetivo de ser o menos melodramático possível.

O personagem Jack Godell é aquele típico de ficção científica, que toma consciência do monstro que criou, quando se vê à beira da loucura ao perceber a possibilidade e a magnitude de um acidente nuclear com a usina que era a sua vida. Ele também é uma alegoria da falta de condução de Estado. A repórter Kimberly representa a transição de um processo, que ao mesmo tempo quer manter o seu emprego e precisa falar sobre notícias bobas do cotidiano, também quer fazer reportagens de utilidade pública. A notícia se desvinculando da política e do mundo.

A nova lógica do capitalismo financeiro substituía o capitalismo do lucro, a economia crescia a uma velocidade mais rápida que a segurança das técnicas aplicadas nas usinas nucleares, sendo importante o planejamento para quando o acidente acontecer, porque os acidentes virão (isso não há dúvida) a segurança estará na boa estratégia para minimizar os danos. Ele ainda falou de outros acidentes nucleares, da zona proibida na URSS, de Goiânia.

No final, o Hernani em resposta ao Gabriel, falou um pouco sobre a ciência e a tecnologia, como a primeira decepcionou o homem, não mais assumindo a posição de nos redimir através da transformação da natureza, e sim de nos ajudar a pensar nós mesmos.
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 06 de FEVEREIRO com o filme JOGO DE CENA (2007) e a palestrante ILANA FELDMAN.

sábado, 7 de novembro de 2009

Casa da Ciência – Clube da Luta (1999)

Estou em hiatus ainda, mas abro uma exceção para o nosso cineclube mensal =)

O filme da vez foi “Clube da Luta” de David Fincher, a palestra “Um só rebanho para nenhum pastor” e o palestrante Renato Nogueira Junior, filósofo e professor da UFRRJ. Nossa, e como foi exigente a palestra! Em menos de cinco minutos, o Renato já tinha mencionado o nome de três grandes filósofos – Nietzsche, Foucault e Deleuze – sorte minha que eu estava familiarizada com o discurso de cada um, pelo menos superficialmente, imagino que quem não conhecesse tenha se perdido um pouco. No entanto, qualquer parte que fosse absorvida já seria um grande exercício de pensamento. Foi de longe a palestra em que o público mais interagiu, especialmente entre si, adicionando à palestra.

O Renato se propôs a fazer uma releitura do filme a partir das teorias de Nietzsche, algo que realmente me agradou. Nietzsche escreve sobre a crise da modernidade, da representação, da ideia de verdade, a morte de Deus, o niilismo (anestesia), tudo isso presente no filme. Deus morreu porque ninguém mais vive em função dele, à espera de morrer e encontrar o que seria o paraíso, as pessoas querem estender suas vidas ao máximo, até a imortalidade.

Nietzsche fala do conflito existencial, mas não se enquadra no grupo dos existencialistas, ele é perspectivista e faz uma diferenciação forte entre moral e ética. Ele percebe que não se vive de forma sinestésica e que experimentamos o mundo de forma fragmentada. Nietzsche divide três formas de existências: camelo, leão e criança. O primeiro não cria novos valores apenas segue o que existe, o segundo destrói o que existe e o terceiro e último é aquele tipo de existência que cria novos valores, aquele que vai além do humano, imanentes, mas não transcendentais. No filme identificamos as duas primeiras existências, deixando em aberto a terceira, que é a grande questão que devemos pensar – que novos valores queremos?

Nietzsche diz ainda que devemos aceitar a alegria e a tristeza da mesma forma, devemos encontrar em nós mesmos o que nos é fundamental, o necessário para atingirmos o nosso potencial, sermos plenos em qualquer circunstância, sem medo. Ele caracteriza o humano moderno como alguém incapaz de perceber o próprio instante, que pensa no futuro e avalia o passado. Propõe ainda a nobreza, a moral de senhor, em que homem é o seu próprio juiz e executor. Devemos buscar a superação, abraçar os riscos e nos doar inteiramente em tudo que fazemos que complete nossa existência, não devemos nos poupar porque isso é sinal de fraqueza de espírito. Ao invés de lobos temos rebanhos, ovelhas sem direção, com vidas superficiais. As verdades estanques se desmancharam no ar e ficamos sem saber o que seguir.

A palestra foi boa para solidificar alguns conceitos que eu já conhecia de Nietzsche e para introduzir alguns outros que eu desconhecia, a fala dele foi realmente muito boa, o filme, nada de espetacular(minto, espetacular foi...só que a fórmula me pareceu gasta...).
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 05 de DEZEMBRO com o filme A SÍNDROME DA CHINA (1979) e o palestrante HERNANI HEFFNER.

sábado, 3 de outubro de 2009

Casa da Ciência - Cidade das Sombras (1998)

De todas as palestras do cineclube Ciência em foco, a de ontem foi a mais científica. Termos como neurotransmissores e transtorno de estresse pós-traumático deram o tom da fala do palestrante Fernando Vidal. O seu sotaque confirmou sua nacionalidade estrangeira, coincidindo com uma palestra um pouco diferente das últimas.

Ele falou pouco sobre o filme, não o dissecou realmente, mas o pouco que falou foi interessante. Cidade das Sombras levanta questões sobre a memória – o sofrimento que se enfrenta por saber que não se é quem achamos que somos, porque as memórias foram suplantadas. O que fazer quando se descobre algo assim? Suicídio no caso de um reles mortal. Mas para John Murdock, aquele que é diferente, aquele que tem o poder de lutar contra os seus criadores que o manipulam, existe a possibilidade de tornar sua realidade inautêntica em autêntica (a partir de memórias autênticas) mesmo que sejam de outras pessoas. Parece confuso, mas o filme se explica bem.

A palestra ainda passeou pelo campo da bioética (o.O), pois que a ciência atual entra pelos caminhos de tentar amenizar traumas ao manipular enzimas para diminuir impactos afetivos – mesmo que alterando nossa humanidade.

A questão que instigava o título da palestra era se somos nossas memórias, mas não senti a questão sendo tocada como deveria. Estou até agora sem conseguir decidir, não tenho ferramentas para tal.

Um amigo comparou Cidade das Sombras com Matrix e isso foi mencionado também na palestra; claramente o segundo teve maior repercussão devido à superioridade técnica e estética, Cidade das Sombras acaba tendo um ar de filme B. Não que isso desmereça o filme – dessa vez gostei mais do filme do que da palestra.

E isso tudo na verdade não importa, o que importa foi sentir que eu estava onde deveria estar. Uma familiaridade sem igual, como se em casa estivesse. Curioso isso.
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Próxima sessão do cineclube da Casa da Ciência: 07 de NOVEMBRO com o filme CLUBE DA LUTA (1999) do DAVID FINCHER e o palestrante RENATO NOGUEIRA JUNIOR.