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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Para registrar

Como acabei de ler o livro “Mediunismo”, queria registrar a diferença entre mediunismo e mediunidade; achei o seguinte parágrafo em um site:

"A diferença entre Mediunismo e Mediunidade está na conscientização, na ética utilizada para estabelecer as relações com o Mundo Espiritual. Nas religiões primitivas não havia nem podia haver reflexão sobre os fenômenos e seu sentido e natureza. Tudo se resumia à prática dissociada da razão. A Mediunidade é o Mediunismo desenvolvido, submetido à reflexão religiosa e filosófica e às pesquisas científicas necessárias ao esclarecimento dos fenômenos, sua natureza e leis".

Por hoje é só.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O ato de servir

Respondendo à uma dúvida recente...Ramatís vem ao meu auxílio xD

"PERGUNTA: – Mas o fato de os médiuns se convencerem de que são missionários a serviço do Alto não os ajuda a substituírem suas inclinações inferiores pelo serviço benfeitor ao próximo? Convictos disso eles se devotam à aplicação de passes, aos receituários, à doutrinação de sofredores e multiplicam esforços para ‘fazer caridade’. Estamos certos?

RAMATÍS: - (...) Os médiuns que se gabam no labor espetacular de fazer a caridade por obrigação cármica e sem a força íntima do amor espiritual são candidatos à desilusão produzida pelas cinzas dos fogos de artifício. O bem há de ser feito pelo próprio bem, sem qualquer interesse ou noção de dever; é um estado espiritual de dedicação em favor de outrem; comove quem o recebe e rejubila quem o pratica. É um ato essencial de espírito e se degrada quando praticado sob o interesse da personalidade própria. A caridade pode ser puro artificialismo, mesmo naqueles que a praticam para cumprir missões do Alto. O Bem, em sua verdadeira essência, dispensa os estímulos externos que lhe roubam a espontaneidade; ele só é válido pelo prazer íntimo de servir."(p.263)

RAMATÍS/MAES, Hercílio. Mediunismo. Limeira, SP: Editora do Conhecimento, 2001.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Minha rinite, minha culpa

PERGUNTA: De que maneira o fluido tóxico espiritual promove a enfermidade física, se apenas produz o clima mórbido no corpo carnal?

RAMATIS: É de senso-comum que o homem possui em sua intimidade orgânica todos os tipos de germens, vírus e ultravírus responsáveis por todos os tipos de doenças no mundo. No entanto, tais coletividades microbianas só existem em ‘cotas-mínimas’, pacíficas e incapazes de romperem as defesas ‘psicofísicas’, caso o espírito encarnado não produza o clima eletivo para a sua proliferação mórbida e perigosa.

Em verdade, os micróbios não são os causadores específicos das enfermidades, porém, eles surgem depois que se estabelece o terreno profícuo e favorável à sua proliferação descontrolada. Há muitos séculos, os velhos mestres do Oriente já sabiam que, de conformidade com a natureza do residual tóxico drenado do períspirito para o corpo físico, ele também provoca a proliferação de certa coletividade microbiana, e assim cauda a doença característica pela sua ação lesiva ao organismo.

Embora a ciência médica depois classifique em sua terminologia patogênica uma doença peculiar conhecida, a realidade é que o gérmen ou vírus só se multiplica ao encontrar o terreno favorável para o seu aumento demográfico!

(...)

Não é preciso a Divindade promover cursos específicos de sofrimento, moléstias congênitas ou acidentes imprevistos, para o homem se retificar e libertar-se da matéria, em busca de sua angelização. O espírito do homem é o único responsável pelas suas desditas, angústias e vicissitudes, assim que contraria a lei do progresso eterno. Ele mesmo causa defeitos, deformações, intoxicações e anomalias no seu perispírito, cujo equilíbrio e conserto requer a oficina benfeitora da vida física! (p.297)

RAMATIS/MAES, HERCILIO. O evangelho à luz do cosmo – Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1996.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A melhor definição...

PERGUNTA: Qual é a primeira imagem, ou ideia mais correta, que poderíamos fazer de Deus, em nosso entendimento humano?

RAMATIS: Indubitavelmente, Deus é a própria Eternidade! Em consequência, seria demasiada vaidade e estultícia o homem pretender conhecer Deus em tão curto lapso da vida humana! E como Deus é incessante e inesgotável alegria; alegria oceânica, que pouco a pouco interpenetra na intimidade das gotas humanas em ininterrupto crescimento esférico além do tempo e do espaço, esse júbilo divino transforma-se em eterno movimento, tanto quanto o homem mais avança na sua realização cósmica. Deus, o Espírito-Uno, sustenta cada forma e energia do Universo, porém, transcendental e existe no vazio do incriado, além de quaisquer fenômenos concebidos pelas criaturas em realização do autoconhecimento. (pág.75)

RAMATIS/MAES, HERCILIO. O evangelho à luz do cosmo – Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1996.
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Dores físicas, mas boas
Dor de esforço, dor de conquista
Éramos eu e a respiração e os movimentos
A concentração, algum turbilhão:
Primeira aula de ioga

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O leão e o rato

Acordei dia desses com uma dor no pé...sentia tinha uns dois dias, mas estava muito pior naquela manhã. Impossível de andar!

Pedi ajuda ao papai leão, “ai, como dói!”
E ele veio com uma lupa e uma lanterna.
Após breve inspeção, "vou pegar uma pinça!"
Parece um fio, mais grosso que cabelo e meio branco...
E foi como mágica, foi puxar o fio que a dor sumiu :O
Que azar, minha ratinha, atingiu um nervo!

Mas agora você está como nova :*
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PERGUNTA: Sois contrário à crença dos homens, só porque eles ainda não podem viver integralmente o que percebem?
RAMATIS:  Compreender Deus exige do homem uma realização interna de buscar sempre a sabedoria e o equilíbrio psíquico, e uma ação externa de renúncia e serviço fraterno a todos os seres da natureza. Somente assim ele comprova que é realmente regido pela inspiração sublime de sua crença. Jamais haverá autenticidade e fidelidade na crença do Amor de Deus se o homem odiar, destruir, enganar e absorver-se e num fanatismo separativista(...). (pág. 42)

RAMATIS/MAES, HERCILIO. O evangelho à luz do cosmo – Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1996.

sábado, 21 de março de 2015

Bambu amado

Era uma vez um maravilhoso jardim, situado bem no centro de um grande campo. O dono costumava passear pelo jardim, ao clarão do luar, à noite... Um belo bambu era para ele a mais bela e estimada de todas as árvores do seu jardim. 

Ao seu olhar carinhoso, esse bambu crescia e se tornava cada vez mais formoso. Ele sabia que seu senhor o amava e que ele era sua alegria. Um dia, o dono, pensativo, aproximou-se do seu amado bambu e, num gesto de profunda veneração, o bambu inclinou sua cabeça imponente... 

O senhor disse a ele: 
– Querido bambu, eu preciso de você. 
O bambu estava feliz, parecia ter chegado a grande hora de sua vida. Ele respondeu: 
– Meu senhor, estou pronto, faze de mim o que quiseres! 
– Bambu! – a voz do senhor era grave – Bambu, só poderei usá-lo, se eu o podar. 
– Podar? A mim, senhor?! Por favor, não faças isso! Preserve a minha bela figura. Tu vês como todos me admiram, me elogiam! 
– Meu bambu amado – a voz do senhor tornou-se ainda mais grave – não importa que o papariquem ou não... seu não o podar não poderei usá-lo... 
No jardim tudo ficou silencioso. O vento segurou a respiração. Finalmente o lindo bambu se inclinou e sussurrou: 

– Senhor, se não podes usar sem podar-me... então, faze comigo o que quiseres! 
– Meu querido bambu – tornou o senhor – devo também cortar as suas folhas!
– Oh, senhor, se me amas, preserva-me de tal mal!! Podes destruir minha beleza, mas, por favor, deixa as minhas folhas! 
– Não o posso usar se não arrancar-lhe as folhas. 
A lua e as estrelas, confusas, escondem-se atrás das nuvens... Algumas borboletas e pássaros, que por ali brincavam, afastaram-se assustados. O bambu, meio trêmulo, à meia voz, disse:
– Senhor, corta-as! 
Mas o senhor disse: 

– Ainda não basta meu querido bambu. Devo cortá-lo pelo meio e tomar também seu coração. Se não fizer isso não poderá ser-me útil. 
– Por favor, Senhor – disse o bambu – eu não poderei mais viver... Como viver sem o coração? 
– Devo tirar seu coração, caso contrário não me serás útil. 
Então o bambu inclinou-se até o chão e disse: 
– Corta-me e divide-me se assim o desejares! 

O senhor desfolhou o bambu... decepou os seus galhos... partiu-o em duas partes...tirou-lhe o coração. Depois, levou-o para o meio do campo ressequido, a uma fonte onde jorrava água fresca. Lá o senhor deitou cuidadosamente o seu querido bambu no chão. Ligou uma das extremidades do tronco decepado à fonte e a outra ele levou para o campo. E a fonte cantou as boas vindas. 

As águas cristalinas precipitaram-se alegres pelo corpo dilacerado do bambu, correram sobre os campos tórridos e áridos, que por elas tanto tinham suplicado... Ali plantou-se o trigo, o arroz, o milho, rosas... e outras flores das mais variadas espécies e cores. 
Os dias passaram, a sementeira brotou, cresceu e veio o tempo da colheita... farta e abundante; assim, o maravilhoso e esbelto bambu, no seu aniquilamento e humildade, transformou-se numa benção especial. 

Quando ele era belo e jovem, crescia somente para si e se alegrava com sua própria formosura. Agora, no seu despojamento, ele se tornou o canal do qual o senhor se serviu para tornar fecundas as suas terras... e muitos, muitos passaram a viver do pródigo tronco do bambu amado.
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Já faz um certo tempo que ouvi esse ensinamento do bambu. Lembro que tinha meus olhos fechados e, à medida que o texto avançava, eu me tornava o bambu. Ao final, chorei...copiosamente. Eu queria ser, mas ainda estava longe de assumir esse lugar. Ainda é difícil, mas já sou outra, lutando para não resistir.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Átomos e identidade

“Pergunta: Dois espíritos simpáticos são complemento um do outro, ou essa simpatia resulta de uma identidade perfeita?
Resposta: A simpatia que atrai um espírito a outro é o resultado da perfeita concordância de seus pendores, de seus instintos; se um devesse completar o outro, perderia sua individualidade.” (p. 287)

LEAL, José Carlos. O longo voo das gaivotas: um estudo sobre a reencarnação do ponto de vista espírita. Rio de Janeiro: CELD: ICEB, 2001.
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‘A diferença entre um pedaço de pedra e um átomo é que o átomo é minuciosamente organizado, ao passo que a pedra não. O átomo é um modelo-padrão e a molécula e o cristal também. Mas, a pedra, embora feita desses padrões, é apenas uma simples confusão. Só quando surge a vida é que se obtém a organização em escala maior. A vida toma os átomos, moléculas e cristais; mas, em vez de fazer uma confusão com eles, como a pedra, os combina em padrões próprios novos e mais elaborados.’ (p.145)


HUXLEY, Aldous. O tempo deve parar. Rio de Janeiro: Globo, 1987.

sábado, 6 de setembro de 2014

Hugo nunca dormiu fora de casa

Ler é procurar a origem *
06/09/14

Sinto vontade de rir e
rio de suas palavras
Como seu argumento é clichê?!
E me parece fora de contexto;
num mundo em que o conhecimento está
todo aí, disponível,
para engolirmos e
nos curar de nossas queixas.

Nossas doenças são reflexo de quem
estamos sendo. O Remédio?
Busca e acharás.

* Frase de José Castello, no Prosa e Verso de hoje, sobre a poesia de Paulo Sott.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Página 64

“49- Como definir fisicamente um conflito que emerge de nosso lado inconsciente?
RAMATÍS – Se o indivíduo pudesse observar melhor suas reações físicas, teria uma visão panorâmica de seus conflitos. Tudo aquilo que consta em nosso reservatório psíquico e que não ganhou uma elaboração, é periodicamente projetado para o lado consciencial com o objetivo de que o próprio indivíduo sinta, avalie e se liberte compreendendo o conteúdo que veio à tona. Muitas vezes, um conteúdo que simboliza algo que fora mal resolvido, ao ser projetado para o lado consciencial provoca uma profunda sensação de mal-estar, que se ignorada, mais adiante será novamente remetida ao consciente com sintomas mais densos, até que o indivíduo busque a causa que lhe gera estes sintomas. É a prova de que o corpo acusa quando não estamos bem psiquicamente. Por isso a importância de uma constante higienização mental através das terapias ou das técnicas meditativas. Na certeza de que a doença física é consequência de doença mental, podemos manter tratamentos profiláticos, evitando grandes sofrimentos.
                Adotando um conjunto de hábitos simples, a humanidade poderá conquistar a linha de equilíbrio que tanto busca, sem com isso pagar preço muito alto!"


RAMATÍS. As flores do Oriente. Limeira, SP: Ed. Conhecimento, 2000.  

sexta-feira, 4 de julho de 2014

terça-feira, 24 de junho de 2014

Copa no Brasil

Três cavalheiros me acompanham neste inverno cheio de gritos de torcida e de dor: Nietzsche, Ramatís e Thomas Mann.

“Que vale a taça vazia diante de quem agoniza de sede?” (p.145)
MAES, Hercílio.In: Espiritismo e Umbanda. Missão do Espiritismo. Rio de Janeiro, Freitas Basto, 1974.

“Cabeça e coração estavam embriagados e seus passos seguiam as instruções do demônio, que sente prazer em pisar com seu pé a inteligência e a dignidade humanas.” (p.146)
MANN, Thomas. A Morte em Veneza. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

domingo, 20 de abril de 2014

Semana passada

“Em você existem causas da sua derrota e vibram as forças de seu triunfo” - André Luiz

Tenho andado derrotada. 
E reclamando de barriga cheia.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ao pé da montanha

“Declaramos ter como instrutores e mestres espirituais, responsáveis por nosso progresso na existência presente, pelo menos, Espíritos hindus e egípcios. Talvez, por isso, estas particularidades de iniciação rigorosa resultem dos métodos das Escolas a que tais instrutores se prendem no Espaço, como se prenderam na Terra, e não seja o fato ou a exigência, de ordem tão geral como se poderia supor. O certo é que até mesmo nossos estudos doutrinários, nosso trabalhos espirituais, nossas leituras, e até mesmo nossos passeios e diversões, são por eles dirigidos, sob o máximo rigor e método invariável. E quanta renúncia tudo isso nos há custado! Escolhem os livros que devemos ler, suspendendo, por vezes, leituras doutrinárias, para que não sobrevenha o fanatismo, e advertem-nos da inconveniência dos jornais! Apontam-nos as horas de trabalho, as companhias e os amigos, os Centros Espíritas a frequentar. Desviaram-nos o matrimônio das preocupações, desde antes dos vinte anos de idade. E se amarguras colhemos, insistindo em ilusões do gênero, reconhecemos que provieram da desobediência aos seus conselhos. Pertencendo a uma família onde havia bons intérpretes da Música, fomos impossibilitada igualmente de estudá-la, não obstante a grande vocação, pois nos diziam os instrutores hindus, vendo-nos insistir nas tentativas de um curso de piano: - Somente um caminho deverá existir à tua frente – a doutrina do Cristo, o Consolador! És espírito reincidente em erros graves, a quem se cogita, do Invisível, de auxiliar a se reerguer, agora que a seleção dos valores existentes no Planeta será feita para o advento da Luz. A Música virá mais tarde, com o dever cumprido. Obterás compensações às lágrimas que chorares pela impossibilidade desse ideal” (pág. 148 e 149)

PEREIRA, Ivone A. Devassando o Invisível. FEB, 1963.
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Aos poucos fui mudando, desapegando de velhos vícios. Divido-me quanto à realidade que hoje vivencio. Se feliz me reconheço pelo caminho percorrido até agora, também sinto novo vazio, novas angústias em resposta ao silêncio da vida. Ávida por aprendizado, bocejo diante da roda do cotidiano. Ao pé da montanha, estou.

domingo, 16 de junho de 2013

Paz

As últimas semanas têm sido agitadas, porém sempre procuro estar atenta e presente em casa, dando atenção aos familiares que tanto amo. Estamos em uma fase boa, em que o carinho e o respeito estão super presentes. Fico feliz com essa conquista. Devo estar em paz comigo mesma, porque as situações que estressavam não mais geram a mesma resposta. Apesar de as confusões ainda acontecerem, vejo tudo com bons olhos.
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Olhar divino: tudo se apresenta em evolução.

Fico feliz quando pecebo o mundo contribuindo para a construção de conceitos. Já tem um tempo que me percebo com um olhar analítico sobre qualquer situação que se apresenta e presencio. Aprendo horrores com as situações mais simples e despropositadas. E veio essa frase coroar o que vivencio e percebo. É bem isso mesmo, a sensação. Estar em sintonia é a felicidade.
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“O sentimento de boa vontade será a melhor segurança da paz universal”(p.136)

BRUNTON, Paul. O Caminho Secreto. Ed. Pensamento, 1986.

sábado, 23 de março de 2013

Metrô de sábado

Estávamos opostos – você alto, a perder de vista, e físico magro; eu pequena, desamparada. Não tínhamos nada a falar, estranhos que éramos um para o outro. Apenas o seu olhar chegava até mim, perfurante e incômodo. Energia tão intensa e vidrada, desarmáva-me, sugava o ar do ambiente. Nem cinco minutos no mesmo recinto, e eu já apelava para o Pai: estou morrendo. A ajuda então veio, suave e eficiente.
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Nunca mais quero te ver
(Não consigo viver sem você)

Duas estrofes solitárias que não foram além, e marcam o desgaste de todos nós.
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Leiam: Bartolomeu Campos de Queirós.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Parto

Fico assim brigada comigo e com o outro que espeta. Para logo em seguida agradecer o murro. Vivo buscando o equilíbrio quando é na queda que aprendo. Esse sobe e desce necessário. Então não devo procurar prolongar o que almejo e alcanço? Aprendi nesse segundo e no próximo já estou devendo aprendizagem – as lições se amontoam. Dou um passo e pressinto o que ainda novo desconheço. Deslumbro-me com a riqueza da vida. Choro com personagens que passam, mesmo que os temas nada tenham a ver com o meu motivo para estar emocionada. Temas que, na verdade, são um só. Choro ao ouvir uma palavra: “coragem” - de olhos fechados, em prece. Porque tal som, tal sentido me atinge. Meu corpo parece saber mais do que eu. Ele me sinaliza o que me toca e eu nem desconfio. Essa energia que me falta para dar mais um passo, imagino que doloroso. Desconfio do que seja, não há como ter certeza. Mais uma crise borbulhante, mais uma ruptura com o que não mais pode habitar em mim. Sem saber o que é. Algo quase pronto, quase transmutado. Uma quase vitória que pulsa e pede: muda-te. Mais uma peça que encaixo, menos uma peça para montar o todo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Evolução e destino

“O mal está determinado no conteúdo do nosso destino?

Ninguém nasce destinado ao mal, porque semelhante disposição derrogaria os fundamentos do Bem Eterno sobre os quais se levanta a Obra de Deus.

O espírito renascente no berço terrestre traz consigo a provação expiatória a que deve ser conduzido ou a tarefa redentora que ele próprio escolheu, de conformidade com os débitos contraídos.

Prevalesce aí o mesmo princípio que vige para as sociedades terrestres, pelo qual, se o homem é malfeitor confesso, deve ser segregado em estabelecimento correcional adequado para a reeducação precisa, e, se é apenas aprendiz no campo da experiência, com dívidas e créditos, sem falta grave a resgatar, é justo possa pedir às autoridades superiores, que lhe presidem os movimentos, o gênero de trabalho ou de luta em que se sinta mais apto ao serviço de auto-aperfeiçoamento. Entendamos, porém, que, se perpetrou delito passível de dolorosa punição, não é ele internado na penitenciária ou no trabalho reparador para que se desmande, deliberadamente, em delitos maiores, o que apenas lhe agravaria as culpas já formadas perante a Lei.

É natural que o devedor, nessa ou naquela forma de resgate, venha a sofrer fortes impulsos a recidivas no erro em que faliu, tanto maiores quão mais extenso lhe tenha sido o transviamento moral; entretanto, a provação deve ser assimilada como recurso de emenda, nunca por vávula de expansão das dívidas assumidas.

Desse modo, ninguém recebe do Plano Superior a determinação de ser relapso ou vicioso, madraço ou delinquente, com passagem justificada no latrocínio ou na dipsomania, no meretrício ou na ociosidade, no homicídio ou no suicídio. Padecemos sim, nesse ou naquele setor da vida, durante a recapitulação de nossas próprias experiências, o impulso de enveredar por esse ou aquele caminho menos digno, mas isso constitui a influência de nosso passado em nós, instilando-nos a tentação, originariamente toda nossa, de tornar a ser o que já fomos, em contraposição ao que devemos ser.” (pág.210)

VIEIRA, Waldo e XAVIER, Francisco Cândido. “Evolução e destino” In: Evolução em dois mundos. FEB, 1959.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O que me (desen)toca

“O ser humano, encarnado ou desencarnado, vive no clima da emoção, pressionado ou sustentado por ela, levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta , ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. Ela nos afeta, mesmo quando, ocasionalmente, parece não existir em nós. É oportuno lembrar que emoção, etimologicamente, quer dizer ato de deslocar, ou seja, mover. Arrastado pela emoção, o Espírito se desloca, num sentido ou noutro, caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal, segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão, que o esmaga, ou a culminâncias de devotamento, que o santifica, e, muitas vezes, em estágios ainda inferiores da evolução, confunde-se em nós a realidade ódio/amor, e nos confundimos nela e com ela, porque é comum tocarem-se os extremos.

O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. Freqüentemente, o processo da desobsessão se desencadeia, de maneira paradoxal, por amor, e é lembrando esse aspecto que conseguimos, às vezes, ajudar os Irmãos, que se atormentam mutuamente, a colocarem um ponto final nas suas angústias. O que acontece é que temos em nós todos o instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa, o esposo, o filho, o dinheiro, a posição social, o poder. Suponhamos que a esposa nos traia, que o filho nos rejeite, que o dinheiro ou o poder nos sejam arrebatados.

Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. Com isto, percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade, luz e sombra, que em determinado ponto absorveram-se uma na outra, criando uma opressiva atmosfera de penumbra, na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. Para desfazer esse clima de crepúsculo, que agonia e desorienta o Espírito, é preciso ajudá-lo a identificar bem seus sentimentos, a fim de separá-los. Estejamos certos, para isso, de uma realidade indisputável, ainda que pouco percebida: o amor, como dizia Paulo aos Coríntios, não acaba nunca. Mesmo envolvido, soterrado no rancor e na vingança, ele subsiste, sobrevive, renasce, está ali. O ódio não o exclui; ao contrário, fixa-o ainda mais, porque em termos de relacionamento homem/mulher, o ódio é, muitas vezes, o amor frustrado. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor, porque nos recusa, nos traiu, nos desprezou, porque a amamos...

No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado, em crise, que ele odeia porque ainda ama, ele começa a recuperar-se, compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. Por mais estranho que pareça, o rancor contra a amada, ou o amado, que traiu ou abandonou, é que mantém acesa a chamazinha da esperança. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e, com menor dificuldade, desliga-se do objeto de sua dor. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo, e angustiar-se no doloroso processo de vingarse, dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe, também ao vingador, penosas vibrações de sofrimento.

Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos.
Um desses foi comovente.

O Espírito manifestante era de uma mulher. Seu antigo companheiro, ora encarnado, fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. Fora muito bela, inteligente, de elevada posição social, e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. E por mais de um século, recolhida ao mundo espiritual, achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera.

Foi muito difícil o diálogo com ela. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. Levaram-na a um encontro com ele desdobrado pelo sono — a um local, na Europa, onde viveram momentos de intensa felicidade e enlevo. Ajudavam, como podiam, o doutrinador, nos seus esforços. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas, encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. Afinal de contas, não pensara noutra coisa, por mais de um século! Promoveram, os benfeitores espirituais, encontros com um fi lho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual, bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. Reencontrou-se ela, também, com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição, através do médium. Nada. Certa vez, em lugar de ligá-la ao seu médium habitual, ligaram-na com o próprio companheiro, objeto de seus rancores, pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio, reti rou-se prontamente, muito chocada. De outras vezes, ele tentou dialogar com ela, mas a experiência foi negativa, pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava.

Esse drama durou meses, semana após semana. E ela, irredutível. Certa vez, sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo, ela desligou-se subitamente do médium. Nossos benfeitores, por doce constrangimento, trouxeram-na de volta, já em pranto. Ela veio indignada, revoltada, falando entre lágrimas:
— Quando vai terminar esta farsa?
Pacientemente, o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra:
— Você acha, minha querida, que suas lágrimas também são uma farsa?

Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia Íntima. Começou a ceder, à medida em que o amor reacendia a sua chama, a princípio timidamente, e depois, com todo o vigor antigo, mas agora purificado, expurgado da paixão que fora a sua perda. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado.

Esta história, tão verídica e dramática quanto a própria vida, teve um final emocionante e, graças a esse episódio, vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos.

Certa noite, ela veio apenas para despedir-se. O drama e a dor estavam encerrados. Agora, era a retomada da trilha evolutiva, a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se, perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam.

Renasceu. Uma bela criança, em lar feliz e equilibrado. Logo aos primeiros meses de sua nova existência, tive oportunidade de vê-la. Visitava eu a família,e a jovem mãe e chamou para ver a criança. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. A mãe acendeu a luz, sob meus protestos, pois temia que ela acordasse, mas ela continuou dormindo. Era linda, e dormiu ainda alguns segundos. Depois, abriu os olhinhos, contemplou-me — seu antigo doutrinador, com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belissimo sorriso... Em seguida, adormeceu novamente, como um anjo que era. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. Sua expressão me dizia, na linguagem inarticulada da emoção:
—Ah! É você? Eu já estou aqui, amigo...

Sem dúvida alguma, o amor também renascera com ela. Seu antigo companheiro recebe dela, hoje, o amor transcendental da neta muito querida pelo avô, que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação.” (pág.223)

MIRANDA, Hermínio C. “O problema”. In: Diálogo com as sombras. FEB, 2012.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Devassando o invisível *

Era hora de se despedir, seu tio abraçou-a e galante, como sempre, proferiu o seguinte comentário com tom de preocupação:
- Você pode me dizer como uma menina bonita como você, não tem namorado?
Ele afastou-se para ver melhor o rosto sereno e tranquilo da sua sobrinha querida, olhando-a com ternura nos olhos. Ela deu de ombros e sorriu como se soubesse de algo que ele desconhecia.
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No momento, leio quatro livros – Diálogo com as sombras de Hemínio C. Miranda; How to raise the perfect dog de Cesar Millan; Ana Karênina de Leon Tolstói e A velhinha de Taubaté de Luis Fernando Veríssimo.
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* Título de um livro que ainda não li de Yvonne A. Pereira

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

30 de novembro

“(…) Por hora, basta dizer, e nunca o diremos com ênfase bastante, que deve predominar entre os encarnados um clima de liberdade consciente, franqueza sem agressividade, lealdade sem submissão, autoridade sem prepotência, afeição sem preferências, e perfeita unidade de propósitos”. (pág.60)

MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as Sombras. FEB, 2012.
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Onde está escrito que não devemos amar mais quem nos ama menos?
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"A vida reta cria, em torno de quem a vive, um ar puro de elementos nobres, que não se misturam, por lei, com elementos comuns, por falta de afinidades, por falta de parentesco" – Apostila Tema 5 do Projeto MSM.