Quando eu decidi parar de comer carne vermelha, eu desconhecia os ensinamentos sutis que estariam por vir. O tempo foi passando, e eu fui percebendo que mesmo eu tendo sido adoradora de churrasco, por exemplo, hoje eu me relaciono de forma diferente com a comida em geral, não só com a carne. Não sentir mais desejo de comer carne, mesmo quando alguém ao seu lado a está comendo, me faz acreditar e sentir que é possível eliminar outros defeitos. Resistir à carne, o que nem mais posso dizer ser uma tentação, abre portas para outras conquistas que com certeza virão. E assim, é nos posicionando diante das coisas que podemos perceber nossos limites e o quanto já estamos prontos para enfrentar outros desafios: resistir ao ócio, resistir à irritação, resistir à impaciência, resistir aos instintos animais...E do outro lado, tem a minha tendência à inércia, só que esse defeito eu ainda não consegui perceber uma saída, mas ainda há tempo, temos a eternidade.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Casa da Ciência – Videodrome (1983)
Depois de ver o trailer do filme, apareci no cineclube já preparada para assistir qualquer coisa estranha. Enquanto eu via o filme, fiz muita careta, ri como o resto do público das cenas risíveis, hoje, e pude perceber silêncios, quando não sabíamos o que esperar da próxima cena.
Foram muitas reações e sensações, e fiquei surpresa de ouvir o palestrante falar que “Videodrome” é moralista. Não sei se essa confusão foi geral ou foi só a minha percepção. Cronenberg brinca com as transgressões para mostrar-se moral, mas pra mim o choque da violência acabou deixando o discurso moral nebuloso.
O Tadeu Capistrano (Doutor em Literatura Comparada pela UERJ e professor de Teoria da Imagem da Escola de Belas Artes da UFRJ) falou de temas presentes nos outros filmes do diretor, como sexo e violência, corpo-mídia, hiperestimulação.
Falou-se também da possibilidade de ver sem olhos, o que seria uma visão remota; o olho obsoleto e o foco no controle do cérebro. Em “Videodrome” podemos ver corpos opacos, melancólicos, esvaziados de vontade – apatia típica dos anos 80. Com a criação do vídeo, havia uma crise do cinema e do espectador cinematográfico, o que gerou novas demandas perceptivas e sensoriais.
A noção de hipnose está bem presente, há de se focar um ponto luminoso que irá trabalhar com a emoção, a atenção, a memória ou a imaginação. Os personagens se tornam vídeos. O corpo como uma mercadoria. Redução do cidadão à espectador.
As alucinações costuram o enredo, levantando questões sobre o que seria a realidade se não a nossa percepção, o próprio filme poderia ser inteiramente uma alucinação do Max, pois vemos ele perder o controle o tempo todo, quando se perde a noção de realidade.
O Tadeu ainda apontou como Cronenberg era adepto da filosofia do desaparecimento, quando ele tematiza o desaparecimento do corpo, e do que nos torna humanos. Não há espaço para o existencialismo. Falência do tempo de reflexão sobre o que vemos. E na sua visão apocalíptica, ele mostra-se desacreditado do homem, apostando na tecnologia.
Foram muitas reações e sensações, e fiquei surpresa de ouvir o palestrante falar que “Videodrome” é moralista. Não sei se essa confusão foi geral ou foi só a minha percepção. Cronenberg brinca com as transgressões para mostrar-se moral, mas pra mim o choque da violência acabou deixando o discurso moral nebuloso.
O Tadeu Capistrano (Doutor em Literatura Comparada pela UERJ e professor de Teoria da Imagem da Escola de Belas Artes da UFRJ) falou de temas presentes nos outros filmes do diretor, como sexo e violência, corpo-mídia, hiperestimulação.
Falou-se também da possibilidade de ver sem olhos, o que seria uma visão remota; o olho obsoleto e o foco no controle do cérebro. Em “Videodrome” podemos ver corpos opacos, melancólicos, esvaziados de vontade – apatia típica dos anos 80. Com a criação do vídeo, havia uma crise do cinema e do espectador cinematográfico, o que gerou novas demandas perceptivas e sensoriais.
A noção de hipnose está bem presente, há de se focar um ponto luminoso que irá trabalhar com a emoção, a atenção, a memória ou a imaginação. Os personagens se tornam vídeos. O corpo como uma mercadoria. Redução do cidadão à espectador.
As alucinações costuram o enredo, levantando questões sobre o que seria a realidade se não a nossa percepção, o próprio filme poderia ser inteiramente uma alucinação do Max, pois vemos ele perder o controle o tempo todo, quando se perde a noção de realidade.
O Tadeu ainda apontou como Cronenberg era adepto da filosofia do desaparecimento, quando ele tematiza o desaparecimento do corpo, e do que nos torna humanos. Não há espaço para o existencialismo. Falência do tempo de reflexão sobre o que vemos. E na sua visão apocalíptica, ele mostra-se desacreditado do homem, apostando na tecnologia.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Ânimo!
Ainda não
04/02/11
Sufocado pelo nada
O nada que me devora
O vazio que espreita
Engolido a cada suspiro
Como faz falta
Uma ordem
Uma aspiração
Um caminho mesmo que cheio de espinhos
Falo do que já enloqueceu uns
Falo do que já matou tantos outros
Das duas portas que vejo
A fuga não está em nenhuma delas
E mesmo assim, foge-se
Ela ocorre e corre-se
Para não sucumbir
Dói não saber agir
Dói não ter direção alguma para seguir
Fazer sem saber o quê
Respirar o vazio explode a gente,
Então pra quê?
Falo da busca daquilo que ainda não existe
Aquilo que parece ainda não existir em nós
04/02/11
Sufocado pelo nada
O nada que me devora
O vazio que espreita
Engolido a cada suspiro
Como faz falta
Uma ordem
Uma aspiração
Um caminho mesmo que cheio de espinhos
Falo do que já enloqueceu uns
Falo do que já matou tantos outros
Das duas portas que vejo
A fuga não está em nenhuma delas
E mesmo assim, foge-se
Ela ocorre e corre-se
Para não sucumbir
Dói não saber agir
Dói não ter direção alguma para seguir
Fazer sem saber o quê
Respirar o vazio explode a gente,
Então pra quê?
Falo da busca daquilo que ainda não existe
Aquilo que parece ainda não existir em nós
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Fausto Vol. 2
Poema dramático
POETA SATÍRICO
Sabem o que a mim, poeta,
Deveras agradaria?
É poder cantar e dizer
O que ninguém quer ouvir.
(pág.251)
ARAUTO
(...) Ao lado marcham acorrentadas duas nobres mulheres; uma parece ansiosa e a outra, alegre; a primeira deseja a liberdade e a segunda sente-se livre. Que cada uma delas diga quem é!
(pág.254)
Galeria obscura (pág.274)
Fausto. Mefistófeles.
MEFISTÓFELES
Caminho não há! Ele leva ao inexplorado que é impossível explorar! Leva ao inalcançado que não se pode alcançar! Estás pronto? Não há que forçar fechaduras nem afastar ferrolhos; terás que vagar na solidão absoluta. Tens uma ideia do que seja deserto e solidão?
FAUSTO
(...) No meu trato com o mundo, não tive que aprender o vácuo e ensinar o nada? Se eu dizia palavras sensatas, os protestos soavam em dobro nos meus ouvidos. Tanto me atacaram que precisei refugiar-me na solidão e nas regiões desertas; para não viver totalmente só e enclausurado, tive até de apelar para o Diabo!
(...)
MEFISTÓFELES
Então és tão tapado que uma palavra nova te desconcerta? Só queres ouvir aquilo que já ouviste? Não te deixes confundir, por mais que pareça estranho. Afinal, já estás acostumado com as coisas fora do comum.
POETA SATÍRICO
Sabem o que a mim, poeta,
Deveras agradaria?
É poder cantar e dizer
O que ninguém quer ouvir.
(pág.251)
ARAUTO
(...) Ao lado marcham acorrentadas duas nobres mulheres; uma parece ansiosa e a outra, alegre; a primeira deseja a liberdade e a segunda sente-se livre. Que cada uma delas diga quem é!
(pág.254)
Galeria obscura (pág.274)
Fausto. Mefistófeles.
MEFISTÓFELES
Caminho não há! Ele leva ao inexplorado que é impossível explorar! Leva ao inalcançado que não se pode alcançar! Estás pronto? Não há que forçar fechaduras nem afastar ferrolhos; terás que vagar na solidão absoluta. Tens uma ideia do que seja deserto e solidão?
FAUSTO
(...) No meu trato com o mundo, não tive que aprender o vácuo e ensinar o nada? Se eu dizia palavras sensatas, os protestos soavam em dobro nos meus ouvidos. Tanto me atacaram que precisei refugiar-me na solidão e nas regiões desertas; para não viver totalmente só e enclausurado, tive até de apelar para o Diabo!
(...)
MEFISTÓFELES
Então és tão tapado que uma palavra nova te desconcerta? Só queres ouvir aquilo que já ouviste? Não te deixes confundir, por mais que pareça estranho. Afinal, já estás acostumado com as coisas fora do comum.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Da palavra encantada
Eros e Psique
Fernando Pessoa
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
.
.
Lindo, lindo.
Fernando Pessoa
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
.
.
Lindo, lindo.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
5º e último dia
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
4º dia
Depois de tanta comilança e calor, aprendi a tomar água nas refeições. Foi ótimo ficarmos hospedados longe, só assim para caminharmos mais e gastar toda a energia ingerida rs Pior que tinha vizinho que descia e subia de carro.
Caminhada nível monstro, subimos e descemos até chegar ao Haras; pelo de anca de cavalo é tão fofinho! =)
De noite as bandas disputavam: Carbono 40 de um lado e Paulinho Lira do outro. Nos divertimos com as nossa conjecturas.
Quase perdemos nossos dedos no boliche à moda antiga, com os pinos repostos no grito. E perdemos a bola de golfe algumas vezes no laguinho, nada como um lodo para testar a sua imunidade rs
Time do tio ganhou de virada novamente – 5x4. E Botafogo goleou – 4x1 – contra o Madureira.
Caminhada nível monstro, subimos e descemos até chegar ao Haras; pelo de anca de cavalo é tão fofinho! =)
De noite as bandas disputavam: Carbono 40 de um lado e Paulinho Lira do outro. Nos divertimos com as nossa conjecturas.
Quase perdemos nossos dedos no boliche à moda antiga, com os pinos repostos no grito. E perdemos a bola de golfe algumas vezes no laguinho, nada como um lodo para testar a sua imunidade rs
Time do tio ganhou de virada novamente – 5x4. E Botafogo goleou – 4x1 – contra o Madureira.
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