sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Livros e o tempo

Tenho comigo nada menos que seis livros da biblioteca, e lendo me parece que eu faço bom uso do meu tempo. Eu imagino que enquanto eu tento agregar informação, outras pessoas passam horas na frente de vídeo games passando o tempo.

Quando eu era criança o tempo não existia, não havia preocupações, hoje eu luto diariamente por otimizar meu tempo e sinto-me culpada quando percebo que passei horas fazendo algo por simples prazer, sem retorno prático. Existem as atividades sociais que nada me preocupam porque a interação contribui para evolução de espírito, mas um prazer solitário tem a adicionar a uma pessoa? Refiro-me ao prazer que não instiga, só ocupa a mente...se bem que melhor ocupar a mente pra não pensar bobagens do que ficar com alma doente. Acho que eu tenho dificuldade em aceitar certos estilos de vida, estou sempre me relembrando que cada um leva a vida como bem entende.

Essa semana fiz uma lista de livros infanto-juvenis pra uma amiga que pediu pra filha dela de 12 anos, fiquei surpresa com a quantidade de livros de boa qualidade, queria eu que minha mãe tivesse me posto pra ler todos eles, mas ainda dá tempo de correr atrás desse tempo e desses livros. “Tá tudo bem agora”.

Os seis
Livro dos Sonhos de Jorge Luis Borges
O Declínio do Homem Público – As Tiranias da Intimidade de Richard Sennett
Ficções de Jorge Luis Borges
Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século
Páginas de Sombra – Contos Fantásticos Brasileiros
As Mil e Uma Noites adaptação de Julieta de Godoy Ladeira

Infanto-Juvenis
Coleção do Harry Potter
Livros do Pedro Bandeira (como a Droga da Obediência)
O Livro das Virtudes das Crianças (contos e poemas)
O Menino do Dedo Verde
Alice no País das Maravilhas
Alice no País do Espelho
Livros do Monteiro Lobato
A Bolsa Amarela
Livros da Ana Maria Machado
O Mistério do Coelho Pensante (Clarice Lispector)
Livros da Ruth Rocha
Chapeuzinho Amarelo
Lendas e Fábulas do Folclore Brasileiro
O Senhor dos Ladrões
Fábulas de Esopo
As Aventuras de Tom Sawyer
Coleção Clarice Bean
Poliana
A Ilha do Tesouro
O Gênio do Crime
Crônicas Volume 1, Fernando Sabino
Romeu e Julieta
Sonho de uma Noite de Verão
Viagem ao centro da Terra
Pinóquio
O Nariz e outras crônicas (Luis Fernando Veríssimo)
A Flauta Mágica
Meu Reino por um Cavalo
O Escaravelho de Ouro de outras histórias (Edgar Allan Poe)
O Livro da Selva
As Mil e Uma Noites
Contos Brasileiros

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Farelo de trakinas**

Antes que o dia termine, vamos à postagem de hoje. Só pra registrar, hoje foi meu terceiro show das Chicas*, a banda é tão bacana que estou pensando seriamente em tentar acompanhar os shows. O meu primeiro foi lá no Projeto Geringonça, o segundo no teatro Rival e o de hoje foi na Sala Funarte Sidney Miller. Tenho o primeiro cd “Quem vai comprar o nosso barulho?” em mp3 e comprei o dvd “Em tempo de crise nasceu a canção”, show que elas estão fazendo agora.

Bom, a história delas...resumidamente, são quatro meninas, moças, mulheres que tocam e cantam super bem. O repertório delas é variado: pra tirar do chão e dançar até aquelas músicas acapela de mostrar a potência de voz. São elas: Amora Pêra, Fernanda Gonzaga, Isadora Medella e Paula Leal, sem contar os músicos que as acompanham e que dão aquele gás nos instrumentos.
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* Na falta do link do site oficial, que está fora do ar, fiquem com o myspace delas.

** Vixe, sem perceber comi um pacote inteiro de trakinas agora. Vou ter que malhar amanhã.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Você acha que o seu dia foi ruim? Pense de novo.

Alguém sempre teve um dia pior. Como eu e a Nat hoje, cheguei em casa chateada, mais por saber que a biblioteca do CCBB vai fechar em setembro pra obras. Além disso ainda tive que agüentar sorrindo os desaforos do pessoal da coordenação de Mídia, povo não consegue ser cordial é impressionante! Mas nem foi tão ruim assim, eu sempre encaro essas situações até com uma certa curiosidade, pra saber até onde as pessoas vão pra se mostrarem pras outras, meio que um estudo psicológico, sabe?!

Bom, cheguei contando essas pedras no meu sapato, mas a Nat superou de longe o meu dia, que não foi nada perto do dela rs Não vou ficar explanando aqui porque é coisa dela e do Viniçus, mas nos divertimos um bocado com a situação deles perdidos de carro, apesar do estresse, das brigas e dos tapas, minha mãe disse que agora a Nat sabe o que é ser o carona quando o seu namorado/marido/noivo/esposo está no volante; e como meus pais se divertiram com a história! E tudo teria começado com o hamburger do Burger King =PP

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A arte de conversar

Acho que eu já desabafei um pouco aqui sobre saber ouvir e falar. Acho que poucas pessoas se importam como o outro lado da conversa está apreciando uma conversa. Não existe fórmula, algumas pessoas têm químicas melhores, saber usar silêncios e pausas, algo que se aprende com o tempo também. Dar espaço para o outro falar e perceber quando o seu assunto é monótono, como arrumação de móveis, por exemplo.

E principalmente mostrar-se interessado no outro, eu percebo que essa é a grande falha: tomar a dianteira da conversa não cuspindo os seus problemas, mas perguntando os problemas do outro, e trocar experiências; quando os dois lados se interessam um pelo outro não tem como a conversa não ser boa.

Se um fala demais, pode ter certeza que não há equilíbrio ali, prazer ou gosto; afinal queremos ouvir e ser ouvidos, assim que deveria ser.
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Irritada com a dificuldade de obter qualquer informação daquela coordenação de Procult =/

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ritual de purificação

Por Clarissa

a dor emana do centro
sem fisgadas
e sem pontadas
uma dor uniforme
parte do processo
é hora de expelir
o corpo pede
o corpo demanda fluidez
não há saída
chegou a hora outra vez
de regurgitar o mal
de limpar a alma
e recomeçar
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01 de agosto de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009

Casa da Ciência – Solaris (1972)

Dessa vez o filme foi meio parado, fomos avisados da estética lenta e própria do diretor, mas o pior não foi a lentidão e a duração do filme, o pior foram as pessoas impacientes que não conseguiam prender a atenção e levantavam o tempo todo pra dar um passeio do lado de fora. Engraçado foi ouvir a plateia, como quase não há trilha sonora nos ouvíamos e o que eu ouvi de sons entediados emitidos foi bem curioso.

Curiosa estava eu de saber como o Braulio Tavares salvaria uma palestra desse filme, porque realmente o conteúdo do filme, mesmo interessante, poderia ter sido contraído em uma hora e não duas. Ele falou da visão norte-americana presente como crítica no filme, quando um dos cientistas diz não estar interessado no contato com estes seres desconhecidos e sim com a expansão dos limites da Terra. O filme também aborda o contato com nós mesmos, porque toma a forma de nossas dores, e ele o comparou ao “2001-Uma Odisséia no Espaço” feito alguns anos antes.

A relação entre o homem e a mulher onde ambos procuram alguém para se mostrar tem mais atenção do que o livro do Stanislavski Lem que se preocupa mais em descrever o planeta Solaris. Ele falou que podemos entender o Oceano Inteligente como metáforas para o cérebro, o próprio homem, algo enorme e desconhecido, Deus que não sabe que é Deus (muito bonito isso). Achei muito bonita a ideia de ilhas de sentido dentro de uma cacofonia, palavras essas de Borges, mas que é explorado no filme também. O Braulio ainda evocou Kafka, o mito do Orfeu ao contrário, o não olhar para trás, a chegada do homem à Lua e a expressão “big dumb objects”, comum na ficção científica.

O filme ainda suscita a discussão entre cópia e original o tempo todo, e o Planeta vai aprendendo a recriar as memórias dos humanos, sempre com falhas, mas cada vez mais próximo do que conhecemos, o Oceano aprende. Ainda falou do Inferno dos cientistas, que é o que não é possível saber e ainda disse frases inspiradoras que dariam manga para questionamentos e textos diversos como: “o que pode ser explicado é sempre maior do que podemos explicar”, “nem sequer entendemos o homem para querermos entender o universo”. Ao explorar o universo, queremos a confirmação de quem somos, queremos plateia.

Ele ainda falou do futuro, de como ele enxerga que as tecnologias estão evoluindo e chegará um momento em que será possível clonar pessoas e transplantar nossas memórias, eu sei que muitos querem isso, viver jovens, poder mudar de corpo, mas eu, sinceramente, não vejo o porquê disso, meu jeito de entender o mundo não comporta a clonagem nesse sentido, eu entendo que se faça isso para clonagem de órgãos, mas eternizar nossa vida no corpo material simplesmente não faz sentido quando se vislumbra voltar ao estado espiritual.

Minha última anotação da palestra foi a seguinte frase: Antes um paraíso imperfeito do que nenhum; a Terra é nosso paraíso imperfeito, e eu tenho minha atenção voltada para um lugar que sei ser melhor do que aqui, pra que eu vou querer perpetuar minha vida aqui? Isso é desejo para os materialistas.

Pra terminar, a grande pergunta para o cientista seria “se não estamos sós no universo, quem são os outros?” porque a resposta sendo ela positiva ou negativa seria aterradora.
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Próxima sessão: 05 de SETEMBRO com o filme TEOREMA (1968) do PASOLINI e a palestrante TATIANA ROQUE.

sábado, 1 de agosto de 2009

Em defesa da Mallu Magalhães

Essa semana li umas cartas na Megazine criticando a Mallu, engraçado que as pessoas quando abrem a boca (no caso, escrevem), não pensam em fazer críticas construtivas e agem como uns mal amados. Falam mal do jeito da menina, quando a única coisa que você pode dizer é: eu não gosto porque não é do meu agrado.

Gosto é algo que não existe argumento, você pode enumerar o que agrada ou não, mas desmerecer o trabalho de um artista é pura mesquinhez, acaba virando um discurso vazio e inválido.

Eu dou um certo valor pra letras e a expressão do artista, tem que me tocar pra eu gostar, e a Mallu não me faz pular do chão ou me emocionar, mas não é por isso que eu desmereço o seu espaço conquistado, seja o caso que for, ela está na mídia onde os outros que a criticam gostariam de estar. Arte não tem certo ou errado, são formas de expressão.