CARA
Escrevemos uma reação que não condiz com a realidade. Vejo algumas implicações, imaginemos que as duas pessoas falassem ao vivo, seria algo real, humano, enquanto que na virtualidade a própria pessoa imagina como a outra estaria reagindo. Parece-me que a virtualidade afasta a questão da profundidade dos laços, porque as palavras do interlocutor que chegam até nós, nos estimulam a reagir com nós mesmos e não com outro. Assim, nos individualizamos mais e desaprendemos a conviver em sociedade. Estamos desaprendendo a sentir, estamos virando mortos-vivos diante da tela, somos pura reação a uma ação, mascarando o que esperam de nós. Ao mesmo tempo que nos isolamos, paradoxalmente, nos juntamos a grande massa homogênea do vazio, somos parte da massa insensível.
COROA
Será que é tudo ao contrário? Será que o meio não transformou essas pessoas e sim as pessoas que transformaram o meio? Será que elas já tinham essa falta de sensibilidade e por isso sentem-se confortáveis na situação diante da tela? Será que elas já nasceram anti-sociais e usam a tecnologia como uma tentativa de entrar em contato com o outro, um contato ao longe que já é um grande passo para aquele que sem ela se isolaria de outra forma?
Viajei demais?
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Quem quiser ler mais sobre o assunto, recomendo o livro “Amor Líquido” do BAUMAN que caiu como uma luva nesses meus questionamentos.
Muito boa essa tirinha.
ResponderExcluirSou só eu que realmente dá risadas (e as vezes até gargalhadas) diante da tela?
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